Financiamento: Vale a pena? Como funciona?

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Publicado em 14/03/2024 às 14:41h - Atualizado 3 meses atrás Publicado em 14/03/2024 às 14:41h Atualizado 3 meses atrás por Carlos Filadelpho
Financiamento
Financiamento

A primeira coisa que precisamos falar é sobre o que é o financiamento e como é o funcionamento dele. Da forma mais simples possível, podemos definir um financiamento como um acordo financeiro em que uma pessoa, querendo comprar um determinado bem ou visando fazer um investimento, acaba pegando um capital de terceiros para realizar tal aquisição. Essa prática é muito usada para comprar bens, como veículos, imóveis, entre outros... Vemos que o funcionamento básico de um financiamento envolve dois principais participantes: o devedor e o credor. O devedor é aquele que recebe o dinheiro, enquanto o credor é quem fornece os fundos. Nesse acordo, o devedor concorda em devolver o valor principal, juntamente com os juros, em um prazo determinado. Nessa modalidade de dívida, existem tanto os financiamentos de curto prazo, quanto os de longo prazo.

Financiamento de Curto x Longo Prazo

Com isso, os financiamentos de curto prazo geralmente têm prazos de pagamento de menos de um ano. Além disso, vemos que eles costumam ser usados para comprar bens de pequeno valor, de modo que o devedor consiga quitar todo o financiamento em um curto período. Eles são frequentemente concedidos por bancos ou instituições financeiras. Por outro lado, financiamentos de longo prazo são utilizados para aquisições de ativos de grande porte, como imóveis ou equipamentos industriais. Esses financiamentos podem estender-se por vários anos ou até décadas. Eles são normalmente oferecidos por instituições financeiras. Essa modalidade de dívida é feita através de parcelas. De modo que o devedor tenha várias parcelas a serem pagas e, assim, consiga ir parcelando o montante total. Vale ressaltar que, nesse processo, existem os juros que são cobrados. Então, mesmo parcelado, obviamente o valor que está sendo pago é bastante superior ao que foi emprestado - afinal, a instituição precisa lucrar nesse tipo de processo.

Diferenças de Financiamento x Consórcio x Empréstimo

No Brasil, o consórcio é um tipo de endividamento que muitos brasileiros acabam tendo. na prática, um consórcio é uma 'modalidade de compra' em que um grupo de pessoas acaba se juntando para conseguir alcançar um objetivo financeiro comum - no caso, um bem. Muitas pessoas veem o consórcio como uma alternativa acessível. Também vista como uma alternativa popular ao financiamento tradicional, como empréstimos ou financiamentos. Geralmente as pessoas não conseguem pegar um financiamento, seja porquê tem nome sujo ou porquê o seu score não está alto, e aí acaba recorrendo ao consórcio. Seja para comprar um carro, moto ou algum outro bem. O funcionamento de um consórcio começa com a formação de um grupo de pessoas interessadas em adquirir esse tal bem escolhido. Cada membro do grupo contribui com pagamentos mensais fixos, no caso, com parcelas. O valor que a pessoa pagará por parcela é algo que depende tanto do bem que está sendo escolhido, quanto do número de pessoas que estão participando do consórcio. A tendência é que, quanto mais pessoas estiverem participando, menor seja o valor por parcela. Apenas para tirar a dúvida de quem não entende muito dessa modalidade, um consórcio é geralmente administrado por uma empresa especializada em consórcios.

Sorteios

Sendo assim, a cada mês, por meio de um sorteio, um dos membros é escolhido para receber o valor total do bem desejado, permitindo que ele consiga adquirir esse bem. Os demais membros continuam a fazer suas contribuições mensais até que todos tenham tido a oportunidade de receber seus fundos. Uma característica importante dos consórcios é que todos os membros têm a garantia de receber o valor total do fundo em algum momento, desde que permaneçam no grupo durante o período acordado. Mas, como nem tudo são flores, os consórcios geralmente cobram uma taxa de administração, que é uma porcentagem do valor total do fundo. Dessa forma, ao entender como o consórcio funciona, você pode pensar: Mas, compensa fazer um consórcio para comprar um determinado bem? De forma prática, não compensa fazer um consórcio. Primeiro que, sendo um sistema com sorteios, você depende muito da sorte para conseguir alcançar logo o bem desejado. Segundo que, se formos ver, ao invés de realizar as contribuições sonhando em um dia ser premiado, faz mais sentido investir o valor. Imagine que, no lugar de fazer um consórcio, você opta por juntar o valor que seria pago na parcela. Além disso, você coloca esse valor em um investimento de liquidez imediata, que renda 100% do CDI, por exemplo. Nesse caso, a cada mês que você juntasse mais uma parte do valor, você estaria mais perto do seu objetivo. Tudo isso sem precisar concorrer em sorteios. Ainda como um fator positivo, você ainda teria os juros compostos ao seu favor - para fazer com que o valor cresça ainda mais e alcance mais rápido o objetivo.

O que é um empréstimo?

Na prática, quase não há diferenças entre empréstimo e financiamento. O único ponto que difere essas duas modalidades é que, no financiamento, o devedor está querendo comprar um bem específico. Então, para exemplificarmos, podemos pegar o caso de uma pessoa que está querendo recursos para comprar um carro. Logo, ela financia o bem. A dívida dela gira em torno do bem que foi financiado. Em contrapartida, no caso do empréstimo, a pessoa está pegando o capital. Independente do que ela queira comprar, o empréstimo tem o objetivo único de conceder o dinheiro para ela. O que a pessoa fará com esse dinheiro, não é colocado em consideração.

Diferenças entre eles

Podemos entender que a grande diferença de empréstimo para financiamento é que no empréstimo, a dívida é ligada ao dinheiro que foi emprestado. Já no financiamento, ela está vinculada ao bem que foi financiado. Por último, no caso do consórcio, vemos que essa é uma modalidade de compra compartilhada. Onde o objetivo é comprar um bem específico, mas várias pessoas estão contribuindo para ele e, periodicamente, há um sorteio para ver quem será contemplado e poderá comprar aquele bem.

Tipos de Bens que podem ser Financiados

Se você está querendo pegar algum tipo de financiamento, mas ainda não sabe se o bem que você quer comprar pode ser financiado, é interessante entender quais são os principais bens que entram nessa modalidade de investimento. Sendo assim, podemos destacar quatro principais tipos de bens que podem ser financiados por você. São eles:

Casas e Apartamentos

No Brasil, um dos tipos de financiamentos mais buscados é o financiamento de casas, apartamentos e terrenos. No caso, o financiamento imobiliário. O Financiamento Imobiliário, para muitas famílias, é visto como uma opção delas realizem o sonho da casa própria. Sem precisar ter todo o valor do imóvel disponível, esse tipo de financiamento acaba permitindo que elas consigam chegar na tão sonhada casa própria, de forma diluída, com parcelamentos. Essa modalidade de financiamento oferece diversas opções para aqueles que desejam adquirir uma casa ou terreno, adaptando-se muito a realidade de cada um - sempre com o objetivo de chegar em parcelas que cabem no bolso.

Financiando imóveis com bancos

Atualmente, temos muitas opções interessantes para realizar financiamento de moradias. O primeiro e o mais comum é fazendo o financiamento com um banco. Dessa forma, geralmente você começará a buscar por um imóvel para comprar e, quando achar, irá ver qual o preço ficará e se é possível fazer um financiamento. Independente de qual seja o financiamento que você queira fazer, a tendência é que haja uma análise para saber se você tem score suficiente e se tem uma boa reputação como pagador, para aí sim ter acesso ao financiamento. Sobre como você pagará, não há uma regra, mas geralmente você inicia o financiamento com um valor de entrada + um valor parcelado. O número de parcelas dependerá muito de como você acordou o financiamento. Antes de realmente realizá-lo, é interessante analisar com cautela para ver se ficará bom para você. Além de olhar pro valor que será pago na parcela, é de suma importância ver a taxa de juros que está sendo trabalhada. No caso de terrenos, o financiamento pode variar. Alguns compradores optam por financiar diretamente com o proprietário do terreno, enquanto outros recorrem a instituições financeiras. Independentemente do método escolhido, é fundamental que os compradores entendam os termos e condições do financiamento. Por ser algo de longo prazo, é preciso ter bastante atenção antes de realmente realizar um financiamento.

Equipamentos

No meio empresarial, um tipo de financiamento bastante usado é o financiamento de equipamentos. O financiamento de equipamentos é uma prática comum para empresas de todos os portes e setores. Financiar equipamentos é algo que permite que as empresas consigam investir em seus equipamentos e crescer, mesmo que naquele momento não tenham capital suficiente. Dessa forma, existem várias opções disponíveis para empresas que desejam financiar equipamentos. Um dos métodos mais comuns é o leasing, que é essencialmente um contrato de aluguel de longo prazo. As empresas pagam uma taxa mensal pelo uso do equipamento durante um período específico, geralmente de 2 a 5 anos. No final do contrato, podem optar por comprar o equipamento a um preço predeterminado ou renovar o contrato com equipamentos mais recentes. Outra opção é o financiamento direto, que envolve obter um empréstimo para comprar o equipamento. Isso permite que a empresa seja proprietária do ativo desde o início e tenha flexibilidade para escolher fornecedores e modelos. Os pagamentos de empréstimos geralmente são feitos em parcelas mensais fixas ao longo de um período determinado. Há também financiamento de equipamentos usado, ideal para empresas que buscam economizar custos adquirindo equipamentos já usados, mas em bom estado. Isso pode ser uma opção econômica, desde que seja feita uma diligência adequada para garantir a qualidade e a confiabilidade dos ativos usados. É por meio dessas formas que você consegue realizar o financiamento de equipamentos. Para empresas que estão precisando de equipamentos para crescer, sem dúvidas esta estratégia de financiamento pode fazer bastante sentido.

Veículos

Aqui no país, o financiamento de veículos é uma prática comum que permite que pessoas ou empresas consigam financiar um veículo. No caso, comprar um veículo, mas sem ter o valor total para adquiri-lo, realizando um empréstimo através de parcelas. Principalmente para quem precisa de um carro ou de uma moto, mas não tem o capital inteiro para comprar, vemos que o financiamento de veículos costuma ser bastante usado. Uma das opções mais populares de financiamento de veículos é o financiamento direto com uma instituição financeira, como um banco ou uma financeira. Nesse caso, o comprador faz um pagamento inicial, muitas vezes chamado de entrada, e financia o restante do valor do veículo. O financiamento pode ser de curto prazo, geralmente de 24 a 60 meses, ou de longo prazo, em alguns casos chegando a 72 meses ou mais. Vale lembrar que, assim como qualquer tipo de financiamento, há um juros nesse processo. Quanto maior for o prazo, a tendência é que você mais sofra com os juros - pois passará um bom tempo pagando o veículo. O financiamento de veículos, na nossa concepção, deve ser usado com muita cautela. Como todo tipo de empréstimo, vemos que não vale a pena fazê-lo. Exceto nos casos em que você precisa muito daquele veículo, mas não tem como comprá-lo à vista. Nessas situações, principalmente para quem trabalha e precisa de um carro para se locomover, realmente o financiamento pode acabar sendo uma saída. Um ponto que podemos deixar de sugestão é que, se você for financiar um veículo, tente ao máximo dar uma entrada grande. Quando você dá uma entrada relevante, acaba que o resto do montante a ser financiado passa a ser menor. O que, consequentemente, faz com que você acabe pagando menos de juros - no valor final. Novamente, não se esqueça de avaliar a taxa de juros praticada. Se você for financiar o seu veículo com um banco, busque por outros bancos até encontrar o que lhe dá a melhor taxa de financiamento.

Educação

Diferente do que acontece em alguns países bem desenvolvidos, o financiamento estudantil não é algo tão comentado aqui no Brasil. Pelo menos não a respeito dos financiamentos estudantis feitos por bancos e financiadoras. Para aqueles estudantes que querem começar uma faculdade e investir na sua educação, mas não tem muitos recursos para pagar, muitas vezes o financiamento se torna uma saída bastante viável. Comentamos anteriormente que o financiamento estudantil privado no país não é tão comentado, mas, em contrapartida, o FIES acaba sendo muito utilizado por alguns estudantes. De uma forma muito simples, o FIES é um programa de financiamento estudantil do Governo que tem como principal objetivo financiar a educação para estudantes que não tem recursos próprios para bancar. Para quem busca por um financiamento estudantil, o ideal é buscar por uma financiadora especializada nessa modalidade. Como todo financiamento, devemos realizar uma análise completa de juros e do valor final que pagaremos. Só assim saberemos se compensa ou não fazer um financiamento.

O que analisar antes de fazer um financiamento?

Se tratando de um financiamento, independente de qual seja a modalidade, é preciso estudar sobre quatro pontos principais, são eles:

Valor de Entrada

Primeiro de tudo, em seu financiamento, é preciso que você analise o valor da entrada que será pago. A entrada é um dos pontos principais que devemos olhar em um financiamento. Na prática, ela é aquele valor inicial que colocamos no financiamento para que ele 'comece'. É por isso que o chamamos de entrada. Diferente do restante do montante, que você pode parcelar, a entrada é um valor que você deverá ter. No caso, ele deverá ser pago à vista. Com isso, vemos que a entrada costuma não ser fixa, mas sim variável de acordo com o quanto você têm à disposição. De modo que já havíamos ressaltado, o ideal é que você tenha uma entrada mais alta possível. Para que, assim, você consiga evitar pagar tantos juros. Quanto menor a sua entrada, maior será o montante que deverá ser parcelado. O que, consequentemente, acarretará em um valor maior a ser acrescido com os juros. A depender da sua entrada, você consegue ter uma ideia se o financiamento sairá muito caro do ponto de vista de juros ou não.

Taxa de Juros

Os juros tem um papel muito importante. Diferente dos investimentos, que é um tema que estamos muitos familiarizados a falar aqui, os juros no financiamento são verdadeiros vilões. Eles não trabalham para fazer o seu dinheiro render, mas sim para que você tenha que pagar mais. Os juros é acrescido ao valor final que foi financiado. Então, se você financiou um imóvel de R$ 600.000,00, por exemplo, a uma taxa de juros de 20% ao ano, esse juros será cobrado de acordo com o montante financiado. No caso específico dos imóveis, vemos que eles atuam em um regime de juros simples. Então, diferente do composto, o juros não cresceria tão exponencialmente. Mas, mesmo assim, colocado a longo prazo, esse juros soma muito ao montante. Se esse seu financiamento for de 8 anos, por exemplo, você acabará em média R$ 960.000 a mais, só de juros. O que é mais que o valor total do imóvel. É claro que pegamos apenas um exemplo, para que você consiga entender. Mas, na prática, independente de qual seja o financiamento realizado, é preciso sempre analisar os juros em primeiro lugar. Uma forma interessante de buscar por juros menores é fazendo pesquisa com várias instituições. Jamais faça a cotação e feche com uma instituição de imediato. Pesquise e veja qual banco ou financiadora tem as melhores taxas de juros e prazo para você. Isso é importantíssimo.

Parcelas

As parcelas, querendo ou não, consumirão o seu orçamento todos os meses. Com isso, essa é a forma principal de você analisar se o financiamento cairá no seu bolso ou não. Às vezes, quando olhamos pro financiamento, vemos apenas em quantas vezes será parcelado. Contudo, tão importante quanto ver o número de parcelas é saber exatamente quanto você gastará todos os meses com o bem que foi financiado. Desse modo, antes de saber se ela cairá no seu orçamento, primeiro veja quanto você tem de orçamento por mês. Com isso, você consegue saber quanto é que pode e quanto não dá para gastar. Após isso, ao entender quanto que está nas suas mãos para gastar, veja quantas vezes o seu bem será financiado e quanto que é possível despender por mês.

Depreciação dos bens

Por último, temos que saber quanto será a depreciação do bem ao final do financiamento. Às vezes, nós financiamos um bem em 10, 20 anos, mas esquecemos de ver como o bem ficará ao final desse período. Principalmente para bens que depreciam com o tempo, é interessante que você veja o quanto esse bem tende a valer no prazo final do seu financiamento. No caso, depois que você quitar o seu financiamento. Para ficar mais simples, vamos imaginar que você quer fazer um financiamento de um equipamento para a sua empresa. Com isso, você financiará o equipamento em R$ 40.000. Contudo, ao final de sete anos, que foi o prazo que você estipulou pro financiamento, você estima que o equipamento estará valendo R $32.000. Dessa forma, você tem que ponderar se vale a pena financiar um bem que, ao final do período, estará custando menos do que você pagou. Obviamente, do ponto de vista empresarial, a tendência é que as empresas ganhem com a produção e não com a valorização do equipamento em si. Mas, já no âmbito imobiliário, muitas pessoas compram um imóvel pensando em vendê-lo. Logo, se este for o seu objetivo, é importantíssimo analisar esse fator de depreciação. Só assim você saberá se compensa ou não financiar o imóvel.

Afinal, vale a pena fazer um financiamento?

Para fecharmos da melhor forma este conteúdo, vamos responder a pergunta mais feita por quem acabou de conhecer o financiamento: Compensa fazer um financiamento? Essa é uma pergunta que não tem uma resposta certa ou errada. Tudo depende da sua realidade e da necessidade que você tem por trás daquele bem. O que podemos afirmar é que, do ponto de vista matemático, contrair dívidas nunca é uma medida interessante. Afinal, você está jogando juros contra o seu dinheiro. Mas, se você só tiver essa opção, pode ser que compense. Vale a pena analisar.