Selic em risco? Guerra no Oriente Médio pode adiar cortes de juros

XP aponta incerteza sobre duração do conflito e impacto na inflação brasileira.

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Publicado em 02/03/2026 às 16:36h - Atualizado Agora Publicado em 02/03/2026 às 16:36h Atualizado Agora por Wesley Santana
Preço do petróleo pode impactar inflação e reduzir expectativa por corte de juros (Imagem: Shutterstock)
Preço do petróleo pode impactar inflação e reduzir expectativa por corte de juros (Imagem: Shutterstock)

Desde o começo deste ano, o mercado financeiro brasileiro não pensa em outra coisa: quando a Selic vai começar a cair? O cenário vinha se desenhando para que o Copom (Comitê de Política Monetária) fizesse uma redução nas próximas reuniões.

No entanto, no último fim de semana, depois dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, alguns analistas começaram a se mostrar mais cautelosos. A perspectiva de corte, que já era dada como certa, foi alterada por uma análise de curtíssimo prazo, na qual o desenrolar da guerra pode definir os próximos passos do Banco Central.

Segundo relatório da XP Investimentos, o conflito abriu uma “caixa de Pandora”, em referência ao fato de que ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos dias e semanas. O head de óleo e gás, Regis Cardoso, afirmou que, neste momento, só dá para trabalhar com análise de cenários, o que dificulta opinar sobre qual vai ser a decisão do Copom na próxima reunião.

“Olhar além do curto prazo é significativamente mais desafiador. A escalada no Irã efetivamente abriu uma caixa de Pandora”, escreveu o analista. “Duas dimensões principais devem ser avaliadas: (i) o escopo e (ii) a duração do conflito. Por um lado, pode haver uma saída diplomática que alivie as tensões. Por outro lado, a situação pode se deteriorar e se transformar em um conflito regional mais amplo que continue a interromper o fluxo de petróleo, potencialmente por um longo período”, continuou.

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Com o aumento no preço do petróleo, o Brasil e outros países devem ver diversos produtos também sendo corrigidos para cima. Desta forma, o conflito deve mexer com a inflação, que é a principal preocupação da maioria dos Bancos Centrais ao redor do mundo, inclusive do Brasil.

“Se eu achava que a Selic viria para 12,5% no fim do ano, dependendo de como fique o preço do petróleo pode ser que bata na inflação e o Banco Central não tenha tanta liberdade para cortar”, afirma Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Way Investimentos e coordenador de economia e finanças na ESPM. “Se o preço do petróleo sobe, o Banco Central pode ser mais cauteloso. Eu acreditava em uma queda de 0,5 ponto percentual em março, mas agora acho que pode ser de 0,25 ponto percentual”, comenta, em entrevista ao Valor.

A próxima reunião do Copom acontece nos dias 17 e 18 de março, quando o colegiado vai decidir se o valor de 15% ao ano será mantido. Caso não, a segunda decisão será de elevação ou redução, sendo que os diretores já se mostraram propensos a um corte de, pelo menos, 0,5 ponto percentual na taxa.