Santander (SANB11) tropeça na B3 após prévia de resultado frustrar o mercado

A queda ganhou força depois que a matriz espanhola do banco acabou revelando, de forma indireta, o desempenho da operação brasileira.

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Publicado em 03/02/2026 às 20:49h - Atualizado Agora Publicado em 03/02/2026 às 20:49h Atualizado Agora por Matheus Silva
O lucro atribuído ao Brasil foi de 579 milhões de euros (R$ 3,6 bilhões) (Imagem: Shutterstock)
O lucro atribuído ao Brasil foi de 579 milhões de euros (R$ 3,6 bilhões) (Imagem: Shutterstock)
🚨 As ações do Santander Brasil (SANB11) mudaram de direção perto do encerramento do pregão e terminaram o dia em queda de 2,39%.
O papel chegou a operar com alta superior a 1% durante boa parte da sessão, mas perdeu fôlego à medida que o mercado ajustou as expectativas para o balanço do 4T25, que será divulgado oficialmente na próxima quarta-feira (4).
O movimento ganhou força depois que a matriz espanhola do banco antecipou a divulgação de seus números globais e acabou revelando, de forma indireta, o desempenho da operação brasileira.
O lucro atribuído ao Brasil foi de 579 milhões de euros, valor que, ao câmbio atual, corresponde a aproximadamente R$ 3,6 bilhões. O número ficou abaixo do consenso de mercado, que apontava para cerca de R$ 4 bilhões, segundo estimativas da Bloomberg.
Na comparação trimestral, o lucro representa uma queda de 3,7% em relação ao 3T25, quando desconsiderado o efeito cambial. A leitura predominante foi de que, apesar de sólido, o resultado veio aquém do que parte dos investidores esperava após a forte valorização recente do papel.

Ação sobe forte no ano e abre espaço para realização

A correção também reflete o desempenho acumulado dos últimos meses. A unit SANB11 já sobe mais de 30% desde o fim de 2025 e, mesmo após a queda desta sessão, segue negociada em torno de R$ 35,94, o maior patamar desde 2022.
Com o papel rodando próximo das máximas históricas recentes, qualquer frustração marginal no resultado tende a gerar movimentos de realização de lucro.
Para parte do mercado, o desempenho antecipado da subsidiária brasileira não trouxe gatilhos suficientes para justificar uma continuidade imediata do rali, ao menos no curto prazo.

O que o mercado ainda espera do balanço

Apesar da reação negativa, a leitura dos analistas não é de deterioração dos fundamentos. A expectativa majoritária é de um resultado consistente, ainda que sem grandes surpresas positivas em relação ao trimestre anterior.
Na visão da XP Investimentos, o desempenho do Santander deve seguir apoiado principalmente no crédito à pessoa física. O banco tem mostrado maior apetite em linhas como cartões de crédito voltados para clientes de alta renda, crédito imobiliário e financiamento para pequenas e médias empresas, segmentos que seguem com demanda resiliente.
As PMEs, em especial, continuam sendo vistas como um vetor relevante de crescimento, impulsionadas por programas governamentais e condições ainda atrativas de crédito. Essa dinâmica, segundo analistas, tende a se estender ao longo de 2026, mesmo em um cenário de juros ainda elevados.
No segmento de grandes empresas, a expectativa é de uma leve aceleração no curto prazo, mas já com sinais de moderação à frente. O autofinanciamento segue como um dos motores do crédito ao consumo, ajudando a sustentar margens, embora com crescimento mais contido.

Foco agora é guidance e tom para 2026

Com boa parte do resultado já conhecida, o foco do mercado passa a ser a mensagem que o banco vai trazer junto ao balanço oficial. Indicações sobre controle de custos, qualidade da carteira de crédito e perspectivas para 2026 devem pesar mais do que o número em si.
📊 Após um rali intenso, o Santander entra na temporada de balanços sob observação. A reação dos próximos dias dependerá menos do passado recente e mais da capacidade do banco de convencer o mercado de que ainda há espaço para crescimento sustentável à frente.

SANB11

Banco Santander
Cotação

R$ 35,94

Variação (12M)

45,57 % Logo Banco Santander

Margem Líquida

7,87 %

DY

5.91%

P/L

11,08

P/VP

1,09