Popularidade de Milei dispara com recuperação gradual da economia argentina

Segundo a pesquisa LatAm Pulse, 47% dos argentinos aprovaram a gestão de Milei em novembro, contra 43% no mês anterior.

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Publicado em 04/12/2024 às 17:25h - Atualizado 3 meses atrás Publicado em 04/12/2024 às 17:25h Atualizado 3 meses atrás por Matheus Silva
Com a economia mostrando sinais de vida, Milei ganha fôlego político (Imagem: Shutterstock)
Com a economia mostrando sinais de vida, Milei ganha fôlego político (Imagem: Shutterstock)

📊 O presidente Javier Milei encerra seu primeiro ano de mandato com um marco significativo: a aprovação de seu governo voltou a crescer, em meio a sinais de recuperação econômica e desaceleração inflacionária.

Segundo a pesquisa LatAm Pulse, realizada pela AtlasIntel para a Bloomberg News, 47% dos argentinos aprovaram a gestão de Milei em novembro, contra 43% no mês anterior.

Com isso, o percentual de aprovação voltou a superar o de rejeição, uma virada importante para um governo que enfrentou intensas turbulências políticas e sociais.

A recuperação da popularidade do presidente é acompanhada por um cenário econômico mais favorável.

Após anos de inflação galopante e recessão, os indicadores econômicos mostram um quadro mais estável.

A inflação, que alcançou picos alarmantes nos últimos anos, caiu para 2,7% em outubro, o menor índice em quase três anos.

Além disso, os salários reais começaram a crescer consistentemente desde abril, um alívio para a população após um longo período de perda de poder aquisitivo.

Melhora nos indicadores e otimismo internacional

Os dados de atividade econômica também apontam para uma retomada gradual. Embora setembro tenha registrado uma leve contração, os meses anteriores, julho e agosto, apresentaram crescimento, indicando uma possível saída da recessão.

Essa melhora ocorre em um momento crucial para Milei, que busca consolidar apoio político e avançar com sua agenda de reformas.

No cenário internacional, a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA trouxe um sopro de otimismo aos argentinos.

A pesquisa LatAm Pulse revelou que quase metade dos entrevistados acredita que a economia do país pode melhorar com Trump de volta à Casa Branca.

Milei, que se posiciona como um forte aliado de Trump, espera capitalizar essa aliança para renegociar o atual acordo de US$ 44 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A busca por melhores condições de financiamento internacional é uma das prioridades de sua política externa.

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O impacto das universidades e a sensibilidade política

Apesar das boas notícias, Milei enfrenta desafios em setores específicos. No início de outubro, um grande protesto nacional contra os cortes de gastos nas universidades públicas abalou sua popularidade, especialmente entre os graduados universitários, que ainda demonstram menor apoio à sua gestão.

As universidades, reconhecidas como um pilar do orgulho nacional, se tornaram um foco de resistência contra as medidas de austeridade.

Juan Cruz Diaz, diretor-geral do Cefeidas Group, observa que a aprovação de Milei é altamente sensível a conflitos com grupos organizados.

“A taxa de aprovação do presidente tem sido altamente influenciada por setores específicos, como as universidades, que têm grande capacidade de mobilização. No entanto, a recuperação recente está diretamente ligada à consolidação de indicadores econômicos chave”, afirmou Diaz.

A pesquisa e o contexto

📈 A pesquisa da AtlasIntel, realizada entre 21 e 27 de novembro com 1.621 entrevistados, apresenta um nível de confiança de 95% e uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Esses números refletem não apenas uma melhora na percepção do governo, mas também uma esperança renovada de que a Argentina possa finalmente sair do ciclo de instabilidade econômica que a afeta há décadas.

Com a economia mostrando sinais de vida, Milei ganha fôlego político para enfrentar os próximos desafios de seu governo.

No entanto, a consolidação de sua popularidade dependerá de sua habilidade em manter os avanços econômicos, construir alianças estratégicas e gerenciar conflitos internos com setores resistentes às reformas.