Fim dos golpes no Pix? BC cria ferramenta que rastreia e recupera o dinheiro

A novidade permite rastrear o caminho do dinheiro em casos de golpe, facilitando o bloqueio nas contas envolvidas e a recuperação dos valores.

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Publicado em 02/02/2026 às 18:02h - Atualizado Agora Publicado em 02/02/2026 às 18:02h Atualizado Agora por Matheus Silva
Apesar de já estar em vigor, o BC estabeleceu um período de adaptação que vai até maio (Imagem: Shutterstock)
Apesar de já estar em vigor, o BC estabeleceu um período de adaptação que vai até maio (Imagem: Shutterstock)
💲 Entrou em vigor nesta segunda-feira (2) uma nova ferramenta que muda a forma como golpes envolvendo o Pix são combatidos no Brasil.
Trata-se do MED 2.0, a versão atualizada do Mecanismo Especial de Devolução, desenvolvido pelo Banco Central e que agora passa a ser obrigatório para todas as instituições financeiras e de pagamento que operam o sistema.
Na prática, a novidade permite rastrear o caminho do dinheiro após uma transferência via Pix em casos de fraude, ampliando significativamente as chances de bloqueio e recuperação de valores desviados por criminosos.
A medida surge em resposta ao avanço dos golpes digitais, dado que, somente em 2025, mais de 28 milhões de brasileiros foram vítimas de fraudes envolvendo o Pix, segundo dados da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP).
Apesar de já estar em vigor, o regulador estabeleceu um período de adaptação que vai até maio, destinado a ajustes técnicos e à estabilização dos sistemas das instituições participantes.

O que é o MED 2.0 e como ele funciona

O MED 2.0 é uma evolução direta do mecanismo criado em 2021. Na versão anterior, a ferramenta permitia que a vítima solicitasse o bloqueio da conta que recebeu o Pix fraudulento, com possibilidade de devolução dos recursos caso a fraude fosse confirmada.
O problema é que, na prática, muitos golpistas conseguiam escapar transferindo rapidamente o dinheiro para outras contas. Como o bloqueio se limitava à conta inicial, o valor acabava “sumindo” antes de qualquer ação efetiva.
Com o novo modelo, essa brecha foi fechada. Uma vez acionado, o MED 2.0 passa a seguir o rastro do dinheiro, mesmo que ele seja transferido para várias contas em sequência. Se os valores forem pulverizados em diferentes instituições, o sistema permite o bloqueio preventivo em qualquer ponto da cadeia de transferências.

Rastreamento em cadeia e bloqueio automático

O principal avanço do MED 2.0 está justamente no rastreamento em cadeia, isso significa que o sistema acompanha o percurso completo do Pix fraudulento, desde a conta de origem até as contas intermediárias e finais.
Além disso, o novo modelo introduz o bloqueio automático e preventivo dos valores suspeitos, reduzindo o tempo de reação e aumentando a chance de recuperação antes que o dinheiro seja sacado ou convertido em outros ativos.
Outra inovação importante é a padronização da experiência do usuário. Todos os aplicativos de bancos e instituições de pagamento passam a ser obrigados a oferecer um botão de contestação visível, que permite ao cliente denunciar uma transação suspeita de forma totalmente digital, sem necessidade de atendimento humano.

Prazos e devolução dos valores

Após a contestação, as instituições envolvidas têm um prazo de até sete dias para analisar o caso e, se confirmada a fraude, devolver os valores à vítima. O processo é coordenado entre os bancos participantes do Pix, seguindo regras definidas pelo Banco Central.
Ainda assim, o regulador reforça que o Pix continua sendo, por natureza, um meio de pagamento instantâneo e, em regra, irreversível. O uso do MED é restrito a situações de fraude comprovada, como golpes, engenharia social e transferências realizadas sob coerção.
Erros de digitação, pagamentos voluntários ou desacordos comerciais, por exemplo, não se enquadram automaticamente no mecanismo de devolução.

Como contestar um Pix na prática

Para o usuário, o processo é simples. Ao identificar uma transação suspeita, basta acessar o extrato de Pix no aplicativo do banco, selecionar a operação e clicar em “contestar” ou “reportar fraude”. A partir daí, o pedido é encaminhado automaticamente ao sistema do MED 2.0, que inicia o rastreamento e os bloqueios necessários.
Não é exigido conhecimento técnico nem envio imediato de documentos. As informações adicionais podem ser solicitadas ao longo da análise, dependendo do caso.
Com o MED 2.0, o Pix avança para se tornar mais seguro e confiável, especialmente diante do crescimento dos golpes digitais. Ainda assim, o Banco Central reforça que a principal barreira contra fraudes continua sendo a prevenção.
❌ Desconfiar de pedidos urgentes, não compartilhar senhas, evitar clicar em links desconhecidos e confirmar dados antes de qualquer transferência seguem sendo atitudes essenciais, mesmo em um sistema agora muito mais preparado para seguir o caminho do dinheiro.