EUA: Inflação surpreende e reduz chances de corte de juros em junho

O CPI subiu 0,4% em março e acumula uma alta de 3,5% nos últimos 12 meses.

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Publicado em 10/04/2024 às 14:58h - Atualizado 2 meses atrás Publicado em 10/04/2024 às 14:58h Atualizado 2 meses atrás por Marina Barbosa
(Shutterstock)
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A inflação dos Estados Unidos avançou 0,4% em março. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado e praticamente eliminou a perspectiva de que os juros americanos comecem a cair ainda neste semestre.

📈 Com a alta de março, o CPI (Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos) passou a acumular uma alta de 3,5% nos últimos 12 meses. O resultado é maior do que os 3,2% registrados em fevereiro e leva a inflação americana para ainda mais longe da meta perseguida pelo Fed (Federal Reserve) de 2% ao ano.

A inflação americana foi puxada pelos preços de moradia e gasolina, que subiram 0,4% e 1,7% em março, respectivamente. Mas o núcleo da inflação, que desconsidera os preços dos alimentos e energia, também subiu 0,4% no mês, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10).

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Impacto nos juros

💲 Na avaliação do mercado, que projetava um avanço de 0,3% do CPI de março, o dado mostra que a inflação americana ainda preocupa e reforça a postura cautelosa do Federal Reserve. Logo, reduz as chances de corte dos juros nos Estados Unidos nos próximos meses.

O presidente do Fed, Jerome Powell, já indicou que os juros só devem ser alterados quando o Fed tiver certeza de que a inflação americana está caindo de forma sustentável em direção à meta de 2% ao ano. Contudo, os dados recentes de inflação não corroboram essa tese.

Diante disso, o mercado passou a rever novamente as probabilidades de corte de juros. A expectativa era de que os juros começassem a cair nos Estados Unidos em março de 2024, mas já havia passado para junho depois que dados de inflação e emprego também surpreenderam no início do ano.

Agora, com mais um CPI forte, as apostas de que o Fed corte os juros em junho despencaram de 56,1% para 16,5%. Já as apostas de manutenção da taxa dispararam de 42,6% para 83%, segundo o CME Group.

"A evolução dos componentes do CPI indica uma dinâmica inflacionária não condizente com os objetivos do Fed. Uma vez confirmada tal hipótese pelo resultado do PCE (inflação dos consumidores), este dado acaba se tornando mais um no ano de 2024 a jogar contra uma perspectiva de corte de juros em um horizonte mais breve", afirmou o economista da CM Capital, Matheus Pizzani.

"O dado do CPI de março evidencia as dificuldades da 'última milha' (last mile) do processo de desinflação, que passou a mostrar um aumento ainda mais disseminado entre os vários segmentos de serviços. Em decorrência disto, as apostas para o início do ciclo de corte de juros passaram a se deslocar cada vez mais para o segundo semestre desse ano", comentou a equipe da Genial Investimentos.