Efeito Master: BRB (BSLI4) quer levantar até R$ 8,8 bi com emissão de novas ações

Ideia é emitir até 1,675 bilhão de novas ações ordinárias, a um preço de R$ 5,29 cada.

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Publicado em 26/02/2026 às 07:56h - Atualizado Agora Publicado em 26/02/2026 às 07:56h Atualizado Agora por Marina Barbosa
BRB busca uma forma de se capitalizar após crise do Master (Imagem: Shutterstock)
BRB busca uma forma de se capitalizar após crise do Master (Imagem: Shutterstock)
O BRB (BSLI4) chamou os seus acionistas para ajudar no enfrentamento da crise deflagrada pelas negociações realizadas com o Banco Master.
🏦 O Banco de Brasília convocou uma assembleia geral de acionistas para discutir a possibilidade de capitalização da instituição por meio da emissão de novas ações.
A ideia é levantar até R$ 8,86 bilhões através da emissão de até 1,675 bilhão de novas ações ordinárias (BSLI3), a um preço de R$ 5,29 cada.
O preço por ação foi estabelecido de acordo com a variação do papel nos últimos 60 pregões, mas é superior à cotação atual -a ação era negociada por R$ 4,81 no fechamento dessa quarta-feira (25).
A proposta do BRB foi apresentada nessa quarta-feira (25) e deve ser discutida pelos acionistas em assembleia extraordinária convocada para o dia 18 de março.

Efeito Master

💲 Ao convocar a assembleia, o BRB explicou que "o aumento de capital proposto decorre da necessidade de fortalecimento da estrutura de capital da Companhia".
"A medida reduzirá o grau de alavancagem do conglomerado prudencial, ampliará a capacidade de absorção de possíveis perdas esperadas e inesperadas e favorecerá a manutenção do enquadramento prudencial, reforçando a solidez patrimonial e a confiança do mercado na instituição", defendeu.
O BRB viu a necessidade de fortalecer o seu capital devido aos desdobramentos da crise envolvendo o Banco Master.
O Banco de Brasília injetou mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas do Master, segundo investigações da PF (Polícia Federal). Além disso, tentou comprar parte da instituição, que foi liquidada pelo BC (Banco Central).
Depois que os problemas vieram à tona, o BRB trocou a sua diretoria e contratou uma auditoria externa especializada para apurar os fatos mencionados pela PF. Além disso, traçou um plano para cobrir eventuais prejuízos ligados ao Master.
O plano prevê um aporte direto do seu controlador, o governo do Distrito Federal, que já enviou um projeto de lei à Câmara Legislativa do Distrito Federal para tentar avançar nesse sentido.
Pelo projeto, o governo pode vender imóveis ou bens públicos ou tomar até R$ 6,6 bilhões de empréstimos para capitalizar o BRB.
Ainda não está claro, no entanto, qual seria a participação do governo do Distrito Federal na oferta de ações proposta nessa quarta-feira (25) pelo BRB.

Efeito para os acionistas

A proposta de capitalização menciona "o compromisso inequívoco do Distrito Federal com a superação das questões apresentadas e com o apoio institucional ao BRB". Contudo, não diz se o governo do Distrito Federal se comprometeu a ficar com parte das novas ações.
🔎 O texto diz apenas que os atuais acionistas terão direito de preferência na subscrição dos papeis e, por isso, só terão a sua participação diluída se deixaram de exercer esse direito.
A diluição, porém, pode chegar a 83,95% no caso dos detentores de ações ordinárias e a 77,50% no caso das ações ordinárias e preferenciais, se os atuais acionistas decidirem não subscrever nenhuma ação.
Isso porque o número de novas ações que o BRB pode emitir nesta operação é bem superior ao total de papeis já existentes.
Segundo dados da B3, o capital social da instituição é dividido em cerca de 486,2 milhões de ações no momento, sendo que 165,1 milhões estão em circulação no mercado.
O governo do Distrito Federal é o acionista majoritário do banco, com fatia de 53,71%. Os outros grandes acionistas são:
  • Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal, com 12,33%;
  • Associação Nacional dos Empregados do BRB, com 8,92%;
  • Mastercard (MSCD34), que ficou com 6,92% do banco depois da execução de dívidas garantidas por ações da instituição;
  • João Carlos Mansur, o fundador da Reag, que também foi alvo das investigações envolvendo o Master, com 4,55%;
  • Fundo Borneo, com 3,16%.

Cronograma

Segundo o BRB, poderão exercer o direito de preferência os acionistas cadastrados no próximo dia 23 de março.
Esses acionistas poderão subscrever as novas ações entre os dias 24 de março e 22 de abril, inclusive.
Eventuais sobras serão rateadas entre os acionistas ou cessionários de Direito de Preferência que tiverem manifestado interesse na reserva de sobras.
O BRB avisou, contudo, que só vai levar a capitalização adiante se conseguir levantar ao menos R$ 529 milhões na operação, o que implica na emissão de ao menos 100 milhões de ações ordinárias. 

BSLI4

BRB
Cotação

R$ 4,86

Variação (12M)

-27,96 % Logo BRB

Margem Líquida

6,74 %

DY

9.25%

P/L

3,22

P/VP

0,59