Ativos argentinos sentem maior impacto de tarifas; risco-país dispara

Principal índice de ações caiu mais de 2% no dia

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Publicado em 04/04/2025 às 21:13h - Atualizado 1 dia atrás Publicado em 04/04/2025 às 21:13h Atualizado 1 dia atrás por Wesley Santana
Argentina tem a segunda maior economia da América Latina (Imagem: Shutterstock)
Argentina tem a segunda maior economia da América Latina (Imagem: Shutterstock)

Enquanto o mercado brasileiro gozou de uma alta durante o dia, nesta quinta-feira (3), os principais indicadores da Argentina foram no sentido contrário. O índice de ações do país vizinho, negociado nos Estados Unidos, registrou um recuo de 9% desde o começo do pregão.

📉 Além disso, o risco-país subiu 46 pontos-base, para 869, alcançando o menor patamar desde novembro do ano passado. Assim como o Brasil, o governo de Donald Trump imputou uma taxa de 10% para exportações oriundas da Argentina.

A empresa que mais sofreu pressão neste momento foi a metarlúgica Tenaris que viu seus papeis recuarem 7,4% desde a manhã. Na sequência aparecem o Banco Supervielle (-5%) e a petroleira YPF (-4,6%).

O índice Merval, que reúne as principais empresas da bolsa, caiu mais de 2%, para os 2.301 mil pontos. O câmbio do dólar é controlado pelo governo argentino, portanto, não houve fortes oscilações durante o dia.

"Após o anúncio do presidente Trump ontem, que implica tarifas mais altas do que o esperado para vários países, a reação do mercado foi altamente negativa, especialmente para ações. Além disso, a taxa de 10 anos do título do Tesouro dos EUA comprimiu de 4,23% para 4,07%, enquanto o índice do dólar também cedeu em relação às outras moedas”, comentou Juan Manuel Franco. economista-chefe do Grupo SBS, em entrevista ao jornal La Nacion.

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Na análise de parte dos analistas, a reação agora forte deve melhorar e se acalmar nos próximos dias à medida que acordos bilaterais sejam feitos. Isso porque, na análise deles, no final, quem mais vai sofrer com a taxação adicional é o consumidor norte-americano que verá os preços aumentados.

“É por isso que vemos uma reação pior nos ativos dos EUA do que no resto do mundo. O 'aumento da taxa' de 10% acabará afetando o crescimento da economia norte-americana, o que implicaria em lucros menores para as empresas, que por sua vez operaram nos maiores índices nos últimos tempos", apontou um relatório da corretora Delphos Investment.