Depois da alta, vem mais? Itaú BBA aposta em novo ciclo positivo da Vale (VALE3)

O banco manteve a recomendação de compra para os papéis e elevou o preço-alvo das ADRs de US$ 14 para US$ 19 ao fim de 2026.

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Publicado em 03/02/2026 às 15:18h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 03/02/2026 às 15:18h Atualizado 1 minuto atrás por Matheus Silva
Em termos de valuation, a Vale negocia a cerca de 4,8 vezes EV/Ebitda em 2026 (Imagem: Shutterstock)
Em termos de valuation, a Vale negocia a cerca de 4,8 vezes EV/Ebitda em 2026 (Imagem: Shutterstock)
🚀 Mesmo após uma valorização acumulada de cerca de 22% no início de 2026 e diante de um desempenho operacional mais fraco na mineração de ferro, a Vale (VALE3) segue com uma tese atrativa na visão do Itaú BBA. 
O banco manteve a recomendação de outperform para os papéis e elevou o preço-alvo das ADRs negociadas em Nova York de US$ 14 para US$ 19 ao fim de 2026, o que implica um potencial de valorização próximo de 18% em relação aos níveis atuais.
Segundo os analistas, a leitura mais construtiva não ignora as dificuldades recentes do negócio de minério de ferro, mas parte da avaliação de que outros vetores ganharam peso relevante na composição do valor da companhia. 
A combinação entre melhora operacional gradual, valorização dos metais básicos e um cenário macroeconômico mais favorável a ativos reais sustenta a revisão positiva.

Metais básicos ganham protagonismo na tese

O principal motor da reavaliação está no segmento de metais básicos, especialmente cobre e níquel. O Itaú BBA revisou para cima suas estimativas de Ebitda para 2026 e 2027, mesmo após ajustes negativos na divisão ferrosa.
Para 2026, o Ebitda consolidado estimado passou para US$ 18 bilhões, avanço de 7% em relação à projeção anterior.
Dentro desse total, a divisão de metais básicos passou a responder por US$ 5,1 bilhões, um salto de 57% frente à estimativa anterior.
A revisão reflete, sobretudo, o forte movimento de alta dos preços dessas commodities no mercado internacional, impulsionado por um ambiente de maior demanda estrutural ligada à eletrificação, à transição energética e aos investimentos em infraestrutura.
Na avaliação do banco, o efeito positivo do mark-to-market dos metais básicos mais do que compensa a contribuição menor do minério de ferro no consolidado, reduzindo a sensibilidade da tese à dinâmica exclusiva da commodity ferrosa.

Minério de ferro decepciona, mas impacto é limitado

Do lado negativo, o minério de ferro teve revisões para baixo, principalmente em função de volumes menores após a atualização do guidance operacional da Vale. 
O Itaú BBA ajustou suas projeções para vendas e Ebitda da divisão ferrosa, refletindo um cenário de produção abaixo do inicialmente esperado.
Apesar disso, os analistas destacam que os preços do minério seguem relativamente resilientes, o que ajuda a amortecer o impacto da menor produção. Além disso, o peso menor do segmento no crescimento projetado do Ebitda faz com que o efeito negativo não comprometa a tese de investimento como um todo.

Fluxo estrangeiro e busca por “hard assets”

Outro ponto central da análise é a dinâmica de fluxo de capital. Com participação de cerca de 11,7% na carteira teórica do Ibovespa (IBOV), a Vale tende a ser uma das principais portas de entrada para o investidor estrangeiro que busca exposição ao Brasil e a commodities metálicas.
Segundo o Itaú BBA, o posicionamento dos investidores locais ainda é relativamente leve, enquanto a presença de estrangeiros vem aumentando, o que cria uma base favorável para a continuidade do movimento de valorização. 
Nesse contexto, a Vale se consolida como um dos principais veículos para a tese de “hard assets” no mercado brasileiro, especialmente em um ambiente de desvalorização de moedas e maior apetite por ativos reais.

Balanço sólido e espaço para dividendos

A estrutura de capital também reforça a visão positiva. O banco estima que a Vale encerre 2026 com dívida líquida expandida em torno de US$ 15,7 bilhões, nível já próximo do centro da faixa-alvo da companhia, entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, e em trajetória de redução.
Mantida apenas a política de dividendos mínimos, a dívida líquida poderia cair para cerca de US$ 12,5 bilhões em 2028, abrindo espaço para distribuições extraordinárias nos anos seguintes. Para o Itaú BBA, essa aceleração no processo de desalavancagem cria uma assimetria positiva relevante para o acionista.
💲 Em termos de valuation, a Vale negocia a cerca de 4,8 vezes EV/Ebitda em 2026, com yield médio de fluxo de caixa livre estimado em 8,5% entre 2026 e 2028, patamar considerado atrativo e superior ao de pares australianos.

VALE3

Vale
Cotação

R$ 87,90

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