Caso Master; PF aponta pagamento de R$ 20 milhões a empresa ligada a Toffoli

Ministro é relator do caso envolvendo o banco liquidado no STF.

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Publicado em 12/02/2026 às 16:45h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 12/02/2026 às 16:45h Atualizado 1 minuto atrás por Wesley Santana
Aos 58 anos, ministro atua na corte desde 2009 (Imagem: Shutterstock)
Aos 58 anos, ministro atua na corte desde 2009 (Imagem: Shutterstock)

Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, uma das empresas da qual o ministro Dias Toffoli é sócio teria recebido R$ 20 milhões de um fundo de investimentos administrado pelo Banco Master. Os pagamentos teriam sido realizados depois de um contrato assinado em 2024.

A informação consta em um relatório publicado pela polícia, que contém mensagens trocadas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento foi entregue pela PF ao STF. Dias atua como relator do caso na Corte.

Segundo as investigações, o montante foi repassado pelo fundo Arleen, que deteve uma parte do resort Tayayá, o qual Toffoli admitiu ser sócio. O espaço, no entanto, foi vendido por sua família em 2021, bem antes do período relatado pela PF nas trocas de mensagens.

Os dados foram enviados ao Supremo, mas a PF não pediu que o ministro fosse suspenso do caso. O diretor-geral do órgão deixou a cargo do presidente do STF, o ministro Edson Fachin, a decisão sobre deixar ou não o caso com o colega.

Leia mais: STF, Sugar Daddy e mais: Banco Master acumula polêmicas após liquidação

Segundo informações do g1, parte dos ministros já considera como inviável a permanência de Toffoli no inquérito. Isso porque a legislação que rege a magistratura veda que citados no inquérito sejam os mesmos que o conduzam.

Procurado pela imprensa, Toffoli declarou que não recebeu nenhum tipo de pagamento dos sócios do Master, nem que manteve amizade com eles. Em outro momento, ele também disse que está sendo alvo de “ilações”.

“O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”, disse, por meio de nota.

Na tarde desta quinta, Fachin convocou uma reunião com os ministros do STF para tratar sobre o tema. Não há informações de uma eventual suspeição de Toffoli, que deve ser apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Leia nota de Dias Toffoli na íntegra:

A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.

A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.

Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel."