BTG prevê semestre difícil para o BB (BBAS3) e adia dividendos 'gordos'

Segundo os analistas, o banco precisará de mais tempo para digerir as provisões contra calotes no agronegócio.

Author
Publicado em 12/01/2026 às 15:36h - Atualizado Agora Publicado em 12/01/2026 às 15:36h Atualizado Agora por Matheus Silva
Para o BTG, a recomendação permanece neutra, com preço-alvo de R$ 25 (Imagem: Shutterstock)
Para o BTG, a recomendação permanece neutra, com preço-alvo de R$ 25 (Imagem: Shutterstock)

🚨 Após a tempestade de 2025, o mercado financeiro aguarda ansiosamente pelo "trimestre da virada" do Banco do Brasil (BBAS3), mas o BTG Pactual jogou um balde de água fria nos mais otimistas.

A visibilidade segue baixa e a recomendação permanece neutra, com preço-alvo de R$ 25. Segundo os analistas, o banco ainda precisará de tempo para digerir as provisões contra calotes no agronegócio antes de retomar a rentabilidade histórica.

O ponto de inflexão está marcado para o segundo trimestre de 2026. Este será o momento em que os primeiros vencimentos da última safra, já concedidos sob critérios mais rígidos e uma nova política de crédito, serão testados.

Se os produtores honrarem esses compromissos, o banco poderá, enfim, sinalizar uma recuperação consistente para a segunda metade do ano.

No entanto, o BTG alerta que o processo de recomposição do ROE (retorno sobre o patrimônio) e do capital raramente é veloz, citando os exemplos de Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11), que levaram vários trimestres para se reerguerem de crises semelhantes.

O desafio das garantias e a "cura" do agro

Um dos pontos mais sensíveis revelados pela gestão do BB foi a percepção tardia de que suas garantias rurais eram frágeis.

Enquanto concorrentes como o Itaú (ITUB4) já utilizavam a alienação fiduciária, o Banco do Brasil ainda dependia fortemente de hipotecas tradicionais.

Agora, a estatal corre para migrar seus contratos para o novo modelo, um processo que, embora mais seguro, torna a concessão de crédito mais lenta e burocrática no curto prazo.

➡️ Leia mais: Construtora dispara na Bolsa e vira 'favorita' do BTG para 2026; confira

No front governamental, a Medida Provisória 1.314 e as mudanças nas normas do Banco Central trouxeram algum fôlego para as renegociações de dívidas rurais, que somam R$ 12 bilhões.

Apesar da demora inicial, a execução melhorou e o BB espera desembolsar até R$ 25 bilhões em programas de apoio, o que deve destravar algum alívio de capital.

Contudo, o RI do banco, Marcelo Oliveira, já sinalizou que a inadimplência acima de 90 dias ainda deve subir antes de cair, colocando os indicadores de estágio inicial sob vigilância máxima.

Dividendos: A paciência será a maior virtude

Para o investidor que busca o famoso dividend yield "gordo" do BB, a mensagem é de cautela.

O BTG projeta que o payout de 2026 deve ficar em torno de 30%, com a prioridade absoluta sendo a preservação de capital para enfrentar novos requisitos regulatórios.

Com uma estimativa de ROE na casa dos 13% para este ano, patamar inferior aos seus pares privados mais rentáveis, o Banco do Brasil deve entregar um retorno em dividendos menos atrativo que o do Itaú no curto prazo.

Apesar do múltiplo P/VPA ser considerado baixo e "não exigente", o BTG ressalta que o banco está escolhendo crescer mais devagar para ser mais rentável no futuro.

💰 Para quem carrega BB na carteira, 2026 será o ano de observar a eficácia dessa nova política de crédito. Se o "trimestre da virada" se confirmar entre abril e junho, o Banco do Brasil poderá encerrar o ano com uma narrativa muito mais favorável do que a atual.

BBAS3

Banco do Brasil
Cotação

R$ 21,88

Variação (12M)

-5,99 % Logo Banco do Brasil

Margem Líquida

4,19 %

DY

5.35%

P/L

9,74

P/VP

0,69