Boicote francês ao Mercosul ganha força com Carrefour e McDonald's

Setor corporativo da França se opõe ao acordo de livre comércio da União Europeia.

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Publicado em 06/02/2026 às 14:41h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 06/02/2026 às 14:41h Atualizado 1 minuto atrás por Wesley Santana
Carrefour foi fundado na França, mas hoje atua em diversos países, incluindo o Brasil (Imagem: Shutterstock)
Carrefour foi fundado na França, mas hoje atua em diversos países, incluindo o Brasil (Imagem: Shutterstock)

Enquanto o Mercosul e a União Europeia caminham para finalizar o acordo de livre comércio, empresas francesas anunciam um boicote aos produtos oriundos da América do Sul. Marcas como Carrefour e McDonald's na França disseram que não vão comprar nem comercializar produtos importados de países como Brasil, Argentina e Uruguai.

O boicote faz parte de um movimento que se consolidou na França, país que se tornou o maior opositor ao acordo comercial. Enquanto o país foi voto vencido dentro do Parlamento Europeu, o setor corporativo promete fazer pressão, pelo menos, dentro do país.

“Nosso compromisso é com a produção francesa”, disse Alexandre Bompard, CEO do Carrefour, em entrevista a um jornal local. O executivo é o mesmo que, anteriormente, criticou a carne produzida no Brasil e disse que o grupo não a comercializará na Europa.

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Quem também fez coro a esse boicote atual foi a unidade francesa do McDonald's, que confirmou à imprensa que não deve incluir a carne sul-americana na produção dos hambúrgueres vendidos no país. "Não há qualquer plano para modificar a atual estratégia de abastecimento”, destacou nota do fast food.

As notícias de eventuais boicotes se arrastam desde o ano passado, quando o acordo entre os dois blocos entrou em vias de ser concluído. Alguns países alegaram que os termos representavam concorrência desleal e até chegaram a comparar a situação a uma Shein, em referência aos produtos chineses que inundaram o comércio global nos últimos anos com preços abaixo do normal.

“O Mercosul é um pouco como a Shein da concorrência desleal. É preciso se proteger”, disse Dominique Schelcher, CEO da Cooperativa U, uma das maiores redes de supermercados da França. “Não compraremos produtos da América do Sul quando existirem equivalentes franceses disponíveis no mercado”, continuou.