BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno, de ex-sócio do Master

O Pleno integrava o conglomerado do Master até agosto, quando foi vendido para Augusto Lima.

Author
Publicado em 18/02/2026 às 09:55h - Atualizado Agora Publicado em 18/02/2026 às 09:55h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Banco Pleno é o antigo Banco Voiter e Indusval (Imagem: Divulgação)
Banco Pleno é o antigo Banco Voiter e Indusval (Imagem: Divulgação)
O BC (Banco Central) decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial de mais duas instituições financeiras ligadas ao Banco Master: o Banco Pleno e a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
🏦 De acordo com o BC, a liquidação foi motivada pelo "comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez".
O descumprimento de determinações do BC e de normas que disciplinam as atividades das instituições financeiras também pesaram na decisão.
Em nota, o BC ressaltou que "continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais". 
"O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", acrescentou.

O Pleno

O Pleno é o antigo Indusval e nos últimos anos vinha sendo chamado de Banco Voiter. 
A instituição foi comprada em fevereiro do ano passado pelo conglomerado do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, e seis meses depois foi vendida para Augusto Ferreira Lima.
Com a venda, o Voiter passou a se chamar Pleno e deixou de emitir CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), o que pressionou as contas da instituição.
Segundo o BC, o Pleno é um conglomerado de pequeno porte, que detém apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

Augusto Lima

Dono do Pleno, Augusto Lima era sócio de Daniel Vorcaro no Master e chegou a ser preso em novembro do ano passado durante a operação da PF (Polícia Federal) que investigou fraudes financeiras envolvendo o Master, a Operação Compliance Zero. 
Na época, a defesa de Augusto Lima alegou que a operação mirava transações realizadas após a saída do seu cliente do Master. Segundo os advogados, Lima deixou todas as suas funções executivas no Banco Master desde maio de 2024.
Lima teve os seus bens bloqueados a partir da liquidação do Banco Pleno, assim como os demais controladores e administradores da instituição.

Outras liquidações

O Pleno amplia a lista de liquidações extrajudiciais decretadas pelo BC em meio à crise do Banco Master.
O BC decretou a liquidação do Master em novembro de 2025, devido à "grave crise de liquidez" e ao "comprometimento significativo" da situação econômico-financeira da instituição, além da violação de normas do Sistema Financeira Nacional.
Na ocasião, outras três instituições do conglomerado Master foram liquidadas: o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. 
Em janeiro, foi a vez da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a antiga Reag, e do Will Bank, o banco digital do Master, entrarem na lista.
A liquidação é adotada quando o BC avalia que a situação financeira da empresa é irrecuperável ou quando são cometidas graves infrações às normas que regulam sua atividade. Com isso, a instituição é excluída do Sistema Financeira Nacional e deixa de operar.

Pressão sob o FGC

Com a liquidação, os clientes e investidores do Banco Pleno ficam com seus recursos bloqueados e devem ser ressarcidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
Os pagamentos terão início depois que o liquidante do Pleno consolidar a lista de credores e transmitir os dados ao FGC. Não há prazo legal para isso.
Esse processo se arrastou por dois meses no caso do Banco Master, devido à complexidade dos processos praticados pela instituição, e ainda está em andamento no WillBank.
O FGC deve liberar quase R$ 52 bilhões para os credores do Master, WillBank e Pleno. Por isso, precisou costurar um acordo para recompor o seu caixa, que envolve a antecipação dos pagamentos realizados pelos bancos ao FGC.