O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia deve enfim entrar em vigor, mesmo que de forma provisória.
💰 A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (27) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e criará a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores e aproximadamente US$ 22,4 trilhões de PIB (Produto Interno Bruto).
O acordo foi fechado no início deste ano, após 26 anos de negociação. Porém, precisava ser analisado pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos dos quatro países fundadores do Mercosul para entrar em vigor.
No Mercosul,
Uruguai e Argentina aprovaram o acordo nesta semana. O texto também passou pela
Câmara dos Deputados do Brasil e deve ser confirmado pelo Senado nas próximas semanas. Além disso, deve ser avaliado em março no Paraguai.
Já na União Europeia, deputados contrários ao acordo conseguiram adiar a análise do texto pelo Parlamento, levando o acordo ao Tribunal de Justiça.
🚨 Ainda assim, a Comissão Europeia decidiu pôr o acordo em prática de forma provisória enquanto não sai a decisão final dos deputados e da Justiça.
"O Conselho Europeu autorizou a Comissão a aplicar provisoriamente o acordo a partir da primeira ratificação por um país do Mercosul", anunciou Ursula von der Leyen nesta sexta-feira (27).
Segundo ela, o avanço do texto nos países sul-americanos "demonstra a confiança e o entusiasmo de nossos parceiros em levar adiante nosso relacionamento e fazer com que este acordo histórico funcione".
A presidente da Comissão Europeia disse ainda que o acordo "também dá à Europa uma vantagem estratégica de pioneirismo em um mundo de forte concorrência e prazos curtos". Por isso, "precisa se materializar".
"Nossas empresas, nossos trabalhadores e nossos cidadãos colherão os benefícios – e devem colhê-los o mais rápido possível. Trata-se de resiliência. Trata-se de crescimento e da Europa moldando seu próprio futuro", afirmou.
Oportunidades e críticas
Com o acordo, Mercosul e União Europeia se comprometem a reduzir ou eliminar as tarifas de importação e exportação de forma gradual nos próximos anos, o que deve facilitar o comércio entre os blocos.
Além disso, o texto prevê regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Com isso, há uma expectativa de que a Europa amplie as exportações de produtos como vinhos, espumantes, farmacêuticos e laticínios para o Mercosul. A entrada de bens industriais como máquinas e equipamentos, automóveis, metalurgia, têxtil e vestuário também pode aumentar.
Na outra direção, o Mercosul deve ampliar as exportações de produtos como carnes, café, celulose, açúcar, etanol e soja para a Europa. Por isso, o agronegócio brasileiro é apontado como um dos grandes beneficiados pelo acordo.
A parceria, no entanto, é criticada pelos agricultores europeus, sobretudo na França. Por isso, o texto foi alvo de protestos na União Europeia.
Ao anunciar a aplicação provisória do acordo nesta sexta-feira (27), Ursula von der Leyen disse que a decisão foi discutida intensamente com os Estados-Membros e os membros do Parlamento Europeu.
Ela admitiu, porém, que o acordo só poderá ser totalmente concluído após a aprovação do Parlamento. E garantiu que a Comissão Europeia continuará trabalhando para garantir que esse processo ocorra de forma tranquila e transparente.
Trump ajudou acordo
As incertezas comerciais trazidas pelas tarifas de Donald Trump ajudaram a destravar o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
Ao anunciar a aplicação provisória do acordo nesta sexta-feira (27), Ursula von der Leyen disse que o Mercosul compreende que "o comércio aberto e baseado em regras gera resultados positivos para todos".
Na assinatura do acordo no Paraguai, líderes sul-americanos também destacaram a importância da cooperação e teceram críticas ao protecionismo, em um recado a Donald Trump.
Veja aqui como foi a assinatura.