Ação da Bolsa que triplicou de valor é rebaixada pelo BBI após ficar "cara demais"

Os analistas rebaixaram o papel para neutro após forte rali e veem espaço limitado para novas altas no curto e médio prazo.

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Publicado em 10/02/2026 às 17:40h - Atualizado 9 horas atrás Publicado em 10/02/2026 às 17:40h Atualizado 9 horas atrás por Matheus Silva
O novo preço-alvo definido pelo BBI é de R$ 4,20 para o fim de 2026 (Imagem: Shutterstock)
O novo preço-alvo definido pelo BBI é de R$ 4,20 para o fim de 2026 (Imagem: Shutterstock)
🚀 Depois de uma valorização de cerca de 230% desde que o Bradesco BBI elevou a recomendação para compra, em 2024, a Cogna (COGN3) deixou de ser a principal aposta do banco no setor de educação. 
Os analistas decidiram rebaixar o papel para neutro, refletindo principalmente o forte rali acumulado e a leitura de que o espaço para novas altas ficou mais limitado no curto e médio prazo.
O novo preço-alvo definido pelo BBI é de R$ 4,20 para o fim de 2026, abaixo do alvo anterior de R$ 4,80. Mesmo assim, o valor ainda embute um potencial de valorização de cerca de 11%, indicando que o banco não vê deterioração estrutural do negócio, mas sim uma relação risco-retorno menos atrativa após a disparada.

Resultados mais fracos no radar

Além da forte valorização das ações, o rebaixamento também leva em conta expectativas mais fracas para os resultados do quarto trimestre de 2025. 
Para 2026, o Bradesco BBI reduziu suas estimativas de lucro da Cogna em 5%, passando a trabalhar com projeções cerca de 4% abaixo do consenso de mercado.
Segundo os analistas, o desempenho mais pressionado deve refletir, sobretudo, margens mais apertadas na Kroton, principal unidade de ensino superior do grupo, em um ambiente ainda competitivo e desafiador para o setor.

Setor de educação segue sob pressão

A avaliação do BBI vai além da Cogna e traz um panorama cauteloso para o setor como um todo. De acordo com o banco, o processo de admissões no primeiro semestre de 2026 tem se mostrado desafiador, especialmente no ensino à distância, dentro do modelo semipresencial.
“As líderes de mercado Vitru (VTRU3), Cogna e Yduqs (YDUQ3) estão apresentando admissões estáveis em um mercado que provavelmente está em declínio”, destacam os analistas, acrescentando que grupos como Cruzeiro do Sul (CSED3), Ser Educacional (SEER3) e outras empresas menores vêm registrando desempenho mais fraco, o que reforça a leitura de um ambiente competitivo mais duro.
No pregão desta terça-feira (10), as ações da Cogna refletiram a mudança de percepção. Por volta das 17h30 (horário de Brasília), o papel recuava 2,90%, negociada a R$ 3,68, em um movimento de ajuste após semanas de forte valorização.

Onde o BBI ainda vê oportunidades

Apesar do rebaixamento da Cogna, o Bradesco BBI segue otimista com outras companhias do setor de educação. O banco mantém recomendação de compra para Yduqs, Ânima (ANIM3) e Vitru, citando avaliações ainda atrativas e potenciais de alta que variam de 24% a 56%.
Para os balanços do quarto trimestre de 2025, a expectativa é de resultados majoritariamente neutros no setor, com a Vitru aparecendo como destaque positivo, enquanto a Cogna tende a ficar na ponta negativa, justamente pela pressão de margens.

O que esperar para 2026

Após o evento “Education Day”, o BBI projeta para 2026 um crescimento médio de receitas em torno de 5% para as empresas de educação listadas, com exceção da Cogna, que deve crescer em um ritmo de um dígito alto. 
As margens Ebitda, em geral, devem permanecer estáveis ou apresentar leve expansão, novamente com a Cogna destoando, já que o banco espera alguma compressão de margens ao longo do próximo ano.
📊 Em resumo, a tese da Cogna não foi desmontada, mas o rali fez o papel sair da condição de “queridinho” para uma posição mais equilibrada, em que o mercado passa a exigir novos gatilhos para justificar altas adicionais.

COGN3

Cogna Educação
Cotação

R$ 3,69

Variação (12M)

135,40 % Logo Cogna Educação

Margem Líquida

19,08 %

DY

4.92%

P/L

5,72

P/VP

0,60