Trump anuncia tarifas recíprocas nesta 4ª feira: O que esperar?
Tarifas devem entrar em vigor logo após pronunciamento de Trump, marcado para as 17h.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promete reforçar nesta quarta-feira (2) a sua política tarifária, por meio do anúncio de tarifas recíprocas para todos os países.
Trump alega que os Estados Unidos vêm sendo "tratados injustamente por outros países, amigos e inimigos", por causa da cobrança de "tarifas elevadas" na importação de produtos americanos.
Ele ainda criticou as taxas aplicadas pela União Europeia a itens como os automóveis fabricados nos Estados Unidos.
💲 O presidente americano decidiu, então, aplicar tarifas recíprocas a todos os países. Ou seja, impor uma tarifa semelhante a que os outros governos cobram dos produtos americanos.
"Queremos um jogo equilibrado. Se nos impuserem uma tarifa ou imposto, nós aplicaremos exatamente o mesmo nível de tarifa ou imposto, é simples assim", afirmou, em fevereiro.
No seu entendimento, esta é uma forma de proteger e estimular a indústria americana, promovendo a geração de empregos e o crescimento da economia dos Estados Unidos.
O mercado, no entanto, entende que a medida deve pressionar a inflação e, consequentemente, os juros americanos. Além disso, os investidores temem o início de uma guerra comercial e uma possível recessão na maior economia do mundo.
Brasil na mira dos EUA
As tarifas recíprocas são prometidas por Trump há quase dois meses. Contudo, a sua implementação ficou para esta quarta-feira (2), porque o governo americano precisou fazer estudos sobre as tarifas aplicadas pelos demais países antes de anunciar a taxação.
⚠️O estudo foi apresentado na segunda-feira (31), por meio de um relatório de 397 páginas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. O documento detalha a política tarifária de aproximadamente 60 países e dedica seis páginas apenas para o Brasil.
Na avaliação do governo americano, o Brasil "impõe tarifas relativamente altas" sobre as importações de diversos produtos, o que "torna difícil para os exportadores dos Estados Unidos" fazer negócios no país.
O relatório traz críticas especialmente às tarifas aplicadas pelo Brasil à importação de etanol, bebidas alcóolicas, filmes e outras produções audiovisuais.
Além disso, cita restrições à importação de produtos manufaturados, como automóveis, equipamentos de saúde e máquinas. E ressalta que o mercado brasileiro segue fechado para a carne de porco dos Estados Unidos.
Como será a taxação?
De acordo com o governo americano, as tarifas recíprocas devem entrar em vigor logo após o pronunciamento de Trump, que está marcado para as 17h de Brasília. Além disso, devem ser impostas tarifas de 25% sobre automóveis a partir de quinta-feira (3).
Ainda não se sabe, no entanto, qual será o formato das tarifas recíprocas. A dúvida é se as tarifas serão lineares ou serão definidas produto a produto. Ou seja, os Estados Unidos podem definir uma tarifa única para cada país, que poderia chegar a 25%, ou uma taxa específica para cada item negociado.
📊 O BTG Pactual calcula que o tarifaço pode ter um impacto de US$ 3 bilhões na balança comercial brasileira, caso os Estados Unidos apliquem uma taxa média similar à que o Brasil impõe aos produtos americanos, de aproximadamente 5,8%. Contudo, essa perda poderia chegar a US$ 10 bilhões se uma tarifa linear de 25% fosse aplicada.
Na avaliação do banco, setores com maior dependência do mercado americano seriam os mais prejudicados por uma tarifa linear. É o caso de aeronaves, materiais de construção, etanol, madeira e derivados.
Já uma taxação produto a produto seria prejudicial especialmente para segmentos tarifados pelo Brasil, como aço, alumínio, etanol e produtos químicos. Produtos com baixas tarifas de importação, como aeronaves, petróleo e derivados, por outro lado, seriam menos afetados neste caso.
Brasil vai retaliar?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já avisou que o Brasil não vai ficar "quieto" diante do tarifaço de Trump.
Em viagem ao Japão na semana passada, Lula disse que o país deve levar o assunto à OMC (Organização Mundial do Comércio). Mas, se não conseguir uma solução para esta questão na organização, vai responder com tarifas recíprocas aos produtos americanos.
A possibilidade de reciprocidade também está na mesa do Congresso Nacional. Não é por acaso que o Senado Federal aprovou nessa terça-feira (1º) a Lei da Reciprocidade Econômica.
O projeto autoriza o Brasil a responder a ações unilaterais de países ou blocos econômicos que prejudiquem a sua competitividade internacional, como barreiras comerciais. E será votado ainda nesta semana pela Câmara dos Deputados.
Além disso, o Brasil busca estreitar o relacionamento com outros parceiros comerciais, para garantir mercados para os produtos brasileiros em caso de uma taxação americana. Nesse sentido, Lula foi ao Japão e ao Vietnã na semana passada e deve visitar à França em junho.
Também há uma expectativa de que os produtos brasileiros ocupem espaços deixados pelos Estados Unidos nessa guerra comercial. No primeiro governo Trump, por exemplo, a China comprou mais soja, carnes e grãos da América Latina em resposta às tarifas americanas.

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