Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump; veja impactos

Decisão beneficia países taxados como o Brasil, e ainda pode custar bilhões ao governo dos EUA.

Author
Publicado em 20/02/2026 às 13:26h - Atualizado Agora Publicado em 20/02/2026 às 13:26h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Na avaliação da Suprema Corte, Trump excedeu a sua autoridade ao impor tarifas (Imagem: Shutterstock)
Na avaliação da Suprema Corte, Trump excedeu a sua autoridade ao impor tarifas (Imagem: Shutterstock)
A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou nesta sexta-feira (20) o tarifaço do presidente Donald Trump.
🚨 A decisão põe em cheque a principal política comercial de Trump e pode obrigar o governo americano a devolver o dinheiro já arrecadado com as tarifas.
Empresas que trabalham com importação já indicaram que podem pedir reembolso ao governo americano por causa dos gastos provocados pelas tarifas, por exemplo.
O custo para o governo pode chegar a US$ 175 bilhões, segundo estimativa da consultoria Penn-Wharton Budget Model. Ou seja, a mais de R$ 1 trilhão no câmbio atual.

Brasil sai ganhando

💲 A decisão também terá consequências fora dos Estados Unidos. Afinal, Trump taxou cerca de 185 países e territórios no chamado Dia da Libertação, em 2 de abril de 2025.
Trump alega que esses países empregavam práticas desleais e injustas de comércio com os Estados Unidos. Além disso, apresenta as tarifas como uma forma de atrair investimentos e, assim, gerar empregos no solo americano.
O Brasil, por exemplo, recebeu uma taxa inicial de 10% e depois uma tarifa adicional de 40%, em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Depois de muita negociação, o governo brasileiro conseguiu derrubar as tarifas aplicadas a produtos como café, carne bovina e frutas. No entanto, outros produtos brasileiros ainda estão sujeitos a uma tarifa de 50%, sobretudo bens industriais. 
Por isso, o tarifaço seguia na pauta de negociações do Brasil e dos Estados Unidos e seria até abordado na viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, em março.
Essa cobrança, contudo, também deve cair com a decisão da Suprema Corte. "O efeito imediato é evidentemente favorável aos países", comentou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

O argumento da Suprema Corte

⚖️ A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço por 6 votos a 3.
A maioria dos juízes entendeu que Trump excedeu a sua autoridade ao taxar quase todos os parceiros comerciais americanos. Afinal, a Constituição dos Estados Unidos determina que quem tem o poder de criar impostos e tarifas é o Congresso e não o presidente.
Por causa dessa limitação, Trump usou uma lei emergencial para poder seguir em frente com as tarifas prometidas durante a campanha eleitoral. Ele foi o primeiro presidente americano a usar a Lei de Poderes Econômicos em Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) para este fim.
O tarifaço, no entanto, foi questionado não apenas pelos países tarifados, mas também por empresas afetadas pela cobrança e por 12 estados americanos. Por isso, acabou sendo levado a julgamento na Suprema Corte.

Trump reage

Trump, por sua vez, disse estar envergonhado com a decisão da Suprema Corte e indicou que tem um "plano B" para manter o tarifaço.
"Nós temos alternativas e vamos usá-las", disse o republicano, após o final do julgamento sobre as tarifas.
Uma opção seria usar um dispositivo da legislação americana que permite a taxação de produtos que ameaçam  segurança nacional dos Estados Unidos e o uso de tarifas como medidas de retaliação a parceiros comerciais que adotaram práticas desleais contra exportadores americanos. 

A reação dos mercados

📈 Os mercados reagiram quase que imediatamente à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos: as bolsas de Nova York subiram, o Ibovespa também virou para o campo positivo e o dólar cedeu.
Vale lembrar que o anúncio das tarifas derrubou os mercados globais em abril de 2025, diante do receio de que a taxação afetasse o crescimento mundial e a inflação americana.