Risco no seu investimento? Gestoras que foram alvos da PF têm mais de 600 fundos
Investigações revelam esquema bilionário ligado ao PCC; veja o que muda para quem investe.

Na quinta-feira (28), no mercado financeiro não se falava em outra coisa, que não a operação da Polícia Federal em escritórios da Faria Lima. Diversos bancos e gestoras de investimentos foram incluídas em investigações que apuram ligações com o crime organizado.
Estima-se que ao menos 40 fundos de investimentos estariam sendo usados para lavagem de dinheiro. No entanto, todas as gestoras que foram alvos da PF somam, juntas, mais de 600 fundos listados na bolsa de valores, conforme dados do "Valor Econômico".
Diante disso, a pergunta que paira sobre muitos investidores é: preciso ter medo? Embora a lista seja longa, é preciso entender que o mercado não está em risco e que há diversas etapas de segurança para manter a operação dele.
Um dos pontos destacados por especialistas é que os fundos citados na operação funcionam no modelo de fundos de participação (FIPs). Normalmente, esses produtos não estão disponíveis nas corretoras de investimentos, portanto, não são distribuídos ao públicos.
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Além disso, alguns deles são formados por múltiplas camadas, em que outro fundo é dono de todas as cotas. Essa estratégia é tomada para garantir a ocultação do patrimônio, um modelo que é visto também em outras etapas das investigações da PF.
O que houve, na análise de especialistas ouvidos pela reportagem, foi uma falha em alguns dos controles internos das gestoras. Para ele, pode ter ocorrido também omissão, mas isso está restrito a um grupo pequeno dentro do universo que é o mercado financeiro.
“O que aconteceu nos leva a entender que houve um problema de detecção de origem de recurso, na hora de a empresa fazer uma checagem do passado do investidor, analisar o imposto de renda, saber de onde vêm os recursos, etc. Então, o que pode acontecer agora são as gestoras e administradoras, por esse receio, serem mais criteriosas quando fizerem um fundo exclusivo”, diz Diogo Nébias, advogado especialista em fundos e mercados de capitais e sócio do escritório Panucci, Severo e Nébias Advogados, em entrevista ao Valor.
Operação Carbono Oculto
A megaoperação envolveu ao menos três órgãos: Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal. Segundo as investigações, mais de R$ 52 bilhões foram movimentados entre os anos de 2020 e 2024 em uma rede criminosa de lavagem de dinheiro para o crime organizado, especialmente o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Mais de 350 pessoas e empresas foram alvos de mandados de busca e apreensão em diversos estados. O destaque se deu na Faria Lima, coração do mercado financeiro, onde estão os escritórios das principais gestoras do país.
De acordo com a PF, os agentes apreenderam mais de 140 veículos, R$ 300 mil em dinheiro vivo, além do bloqueio de R$ 1 bilhão em contas e fundos de investimentos. Os órgãos devem investigar, porém, um eventual vazamento de informações, já que parte das pessoas buscadas não foram encontradas pelas equipes.
Entre os nomes citados nas investigações está o da Reag Investimento (REAG3), empresa que é listada na bolsa de valores. Nesta semana, somando as baixas de quinta e sexta, as ações da companhia recuam quase 25%, cotadas abaixo de R$ 3.

REAG3
REAG InvestimentosR$ 2,93
-37,66 %
21,86 %
0%
11,20
0.51

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