Renda Fixa Digital supera Selic e rende quase 19% ao ano, aponta relatório

Relatório aponta inadimplência zero em títulos vencidos; Mercado Bitcoin lidera oferta de títulos tokenizados.

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Publicado em 06/02/2026 às 07:00h - Atualizado Agora Publicado em 06/02/2026 às 07:00h Atualizado Agora por Wesley Santana
Títulos tokenizados surgiram como uma nova ferramenta de rentabilidade para a carteira de investimentos (Imagem: Shutterstock)
Títulos tokenizados surgiram como uma nova ferramenta de rentabilidade para a carteira de investimentos (Imagem: Shutterstock)

Enquanto a Selic opera na casa de 15% ao ano, há investimentos que pagaram acima deste patamar (e não foram os títulos emitidos pelo Banco Master). Segundo um levantamento da DeFin Research, os tokens de Renda Fixa Digital remuneraram, em média, 18,9% os investidores no ano passado.

Esse valor é fruto das taxas prefixadas que superaram o juro básico brasileiro. Como o risco da operação supera o de bancos tradicionais, os tokens geram uma rentabilidade adicional para compensar.

O documento mostra que os únicos títulos que tiveram rentabilidade negativa foram aqueles que estavam indexados ao dólar. Isso porque a moeda norte-americana apresentou oscilação negativa frente ao real brasileiro ao longo do ano, o que impactou o resultado dos investimentos.

“O mercado de renda fixa digital se destacou inicialmente em plataformas com milhões de clientes no varejo, seguindo o perfil de produto demandado por esse público. Hoje, os números mostram que o investidor institucional vem firmando sua posição, indicando que as vantagens da tecnologia se sustentam mesmo diante de diligências mais rigorosas”, diz André Carvalho, CIO da DeFin.

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No acumulado do ano, a plataforma com a maior lista de títulos disponibilizados foi o Mercado Bitcoin, que distribuiu mais de R$ 1,3 bilhão em ativos. No período, foram pagos cerca de R$ 750 milhões para os títulos que venceram, o que representaria uma inadimplência zero.

Os produtos de Renda Fixa Digital são disponibilizados por corretoras de criptomoedas, que fazem a tokenização de recebíveis e outros ativos de empresas secundárias para antecipar os valores. Dessa forma, disponibilizam frações de uma dívida aos investidores que compram os títulos, com o objetivo de obter rendimento futuro acima da média paga pelos bancos tradicionais.

É importante destacar que, diferentemente de um CDB ou LCI, a Renda Fixa Digital não conta com proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Portanto, no caso de a empresa ter dificuldade para honrar com seus compromissos, apenas a tokenização dos ativos serve como garantia, o que pode dificultar o recebimento do valor apostado.

Uma apuração feita pela reportagem do i10 mostra que, atualmente, o MB oferece opções que rendem até 21,2% ao ano. Uma compra de R$ 1 mil hoje poderia gerar R$ 1,9 mil de lucro no vencimento, marcado para agosto de 2031.