Em guerra contra Trump, Câmara aprova urgência para Lei da Reciprocidade
Texto dá poder ao governo brasileiro para aplicar sanções que evitem distorções no mercado global

Apenas um dia depois de ser analisado no Senado Federal, a Câmara dos Deputados aprovou urgência para votação do projeto de Lei da Reciprocidade. Por 361 votos a 10, os deputados deram aval para a tramitação da proposta que prevê mecanismos para retaliar tarifas impostas por outros países.
📄 O objetivo, de acordo com os parlamentares, é proteger o comércio nacional nas negociações internacionais. O principal ponto da nova legislação é estabelecer tarifas justas para os dois lados em acordos comerciais. Essa é uma tentativa de evitar disparidade de preços que possam prejudicar o Brasil.
O projeto é votado no contexto em que o governo de Donald Trump tem colocado tarifas adicionais aos produtos importados que chegam aos Estados Unidos. Um dos maiores impactos aos negócios brasileiros foi a tarifa de 25% sobre o aço enviado ao país norte-americano.
“Não é uma retaliação, mas, a partir de agora, se o governo quiser agir, terá mecanismos para isso”, destacou a senadora Tereza Cristina (PP), relatora do projeto. “Pode fazer, não quer dizer que faça, mas o Brasil vai sentar à mesa com o que vier de lá e dizer: olha, esse aqui eu aceito 25%, esse aqui eu não aceito, aceito 8%, aceito 2%”, complementou, em entrevista à CNN Brasil.
O texto também dá ao governo brasileiro a possibilidade de aplicar sanções econômicas a outros países, nos casos em que o lado nacional saia prejudicado. Esse trecho é apontado como uma resposta à União Europeia que já teve propostas de restringir a exportação de carne brasileira.
O texto é de autoria do senador Zequinho Marinho (Podemos) e não precisa de uma tramitação completa como acontece em outras matérias. Agora, o projeto segue para a Câmara de Comércio Exterior que passa a ter os poderes ortogados pelos senadores.
O Partido Liberal, que faz oposição ao governo Lula, anunciou que faria uma obstrução, mas se viu acuado depois que a proposta já tinha atingido o número mínimo de votos necessários. O PL tenta pressionar o presidente da Casa, Hugo Motta, para pautar o projeto de anistia dos presos nos ataques de 8 de janeiro.
Duas alternativas
Na semana, o presidente Lula reagiu mais uma vez às tarifas impostas por Trump e destacou que o Brasil vai tentar derrubar a taxação por meio da OMC (Organização Mundial do Comércio). Ele destacou, no entanto, que aplicar tarifas como forma de retaliação não é uma alternativa descartada neste momento.
“[Temos] duas decisões a fazer. Uma é recorrer à Organização Mundial do Comércio, e nós vamos recorrer. E a outra é a gente sobretaxar os produtos americanos que nós importamos. É colocar em prática a lei da reciprocidade”, disse Lula. “Não dá para a gente ficar quieto, achando que somente (eles) podem taxar”, concluiu.
Já o ex-presidente Jair Bolsonaro defendeu o tarifaço de Trump e disse que o líder norte-americano tenta proteger os Estados Unidos do que classificou como “vírus socialista”. Por meio das redes sociais, ele também aproveitou para criticar o atual governo dizendo que impor também novas taxas deve escalar a crise.
"Uma eventual guerra comercial com os EUA não é uma estratégia inteligente e que preserva os interesses do povo brasileiro", afirmou Bolsonaro. "A única resposta razoável à tarifação recíproca dos EUA é o governo Lula extinguir a mentalidade socialista que impõe grandes tarifas aos produtos americanos, inviabilizando o povo brasileiro de ter acesso”.

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