Brasil é o maior beneficiado pela reviravolta tarifária nos EUA; compare impactos

A tarifa aplicada pelos americanos aos produtos brasileiros cairá de 26,3% para 12,8%.

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Publicado em 23/02/2026 às 15:39h - Atualizado Agora Publicado em 23/02/2026 às 15:39h Atualizado Agora por Marina Barbosa
EUA vão cobrar tarifa geral de 15% sobre todos os países a partir desta 3ª (Imagem: Shutterstock)
EUA vão cobrar tarifa geral de 15% sobre todos os países a partir desta 3ª (Imagem: Shutterstock)
O Brasil desponta como o país mais beneficiado pela reviravolta tarifária nos Estados Unidos, segundo um estudo do Global Trade Alert.
📉 O levantamento explica que os produtos brasileiros enfrentavam uma tarifa média de 26,3% ao serem exportados para os Estados Unidos até a última sexta-feira (20), mas agora ficarão sujeitos a uma tarifa média de 12,8%.
A redução de 13,6 pontos percentuais foi a maior observada entre todos os parceiros comerciais americanos. A China, por exemplo, terá uma redução de 7,1 pontos percentuais e a Índia, de 5,6 pontos percentuais.
Já a União Europeia e países como a Coreia do Sul saíram perdendo com os últimos movimentos tarifários, pois acabaram ficando sujeitos a uma cobrança maior ao exportar para os Estados Unidos.

O que aconteceu?

A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço de Donald Trump na última sexta-feira (20), por entender que o republicano excedeu a sua autoridade ao taxar quase todos os parceiros comerciais americanos em abril do ano passado.
A decisão se baseou no fato de que a Constituição dos Estados Unidos determina que quem tem o poder de criar impostos e tarifas é o Congresso e não o presidente. Contudo, foi criticada por Donald Trump, que logo encontrou uma forma de driblar a decisão da Suprema Corte e renovas as tarifas.
Trump anunciou uma tarifa geral de 10% já na sexta-feira (20) e no sábado (21) elevou essa cobrança para 15%. A taxa foi imposta com base na seção 122 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite ao governo americano restringir as importações em momentos de alto déficit comercial.
A nova tarifa de 15% deve entrar em vigor nesta terça-feira (24) e terá validade de 150 dias. Para continuar depois desse prazo, terá que ser validada pelo Congresso americano.

Impacto nos mercados

💵 A derrubada inicial do tarifaço deu fôlego aos mercados, tanto que na sexta-feira (20) as bolsas americanas aceleraram, o Ibovespa bateu recorde e os analistas correram para identificar as empresas mais favorecidas pela medida.
O ânimo, no entanto, não durou muito, pois a decisão de Donald Trump de insistir na taxação renovou as incertezas dos investidores sobre o rumo do comércio internacional.
A cautela só aumentou depois que Donald Trump ameaçou impor novas tarifas a países que fizerem "joguinhos" com os acordos comerciais firmados com os americanos.
Por isso, as bolsas americanas caem forte nesta segunda-feira (23). O Ibovespa também virou para o vermelho, depois de abrir em alta e bater pela primeira vez na história nos 191 mil pontos.
Já o dólar segue uma tendência de queda, sobretudo frente a moedas emergentes como o real. A avaliação do mercado é de que as incertezas sobre os próximos passos da política tarifária americana contribuem com o enfraquecimento da moeda.

Veja os países que saíram ganhando com a nova tarifa dos EUA:

  • Brasil: -13,6 pp;
  • China: -7,1 pp;
  • Índia: -5,6 pp;
  • Canadá: -3,3 pp;
  • México: -2,9 pp;
  • Vietnã: -2,8 pp;
  • Tailândia: -2,0 pp;
  • Malásia: -1,7 pp;
  • Taiwan: -1,3 pp;

E os países que ficaram com tarifas maiores:

  • Irlanda: +0,1 pp;
  • Suíça: +0,4 pp;
  • Japão: +0,4 pp;
  • Holanda: +0,5 pp;
  • Coreia do Sul: +0,6 pp;
  • Alemanha: +0,6 pp;
  • União Europeia: +0,8 pp;
  • França: +1,0 pp;
  • Singapura: +1,1 pp;
  • Itália: +1,7 pp;
  • Reino Unido: +2,1 pp.