Brasil chama prisão de Maduro de “sequestro” e sobe o tom contra os EUA

Para o Itamaraty, a operação não foi uma ação de justiça, mas sim um "sequestro" conduzido à revelia das normas multilaterais.

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Publicado em 06/01/2026 às 15:50h - Atualizado 12 horas atrás Publicado em 06/01/2026 às 15:50h Atualizado 12 horas atrás por Matheus Silva
Rússia e China já manifestaram apoio à tese de intervenção ilegal (Imagem: Shutterstock)
Rússia e China já manifestaram apoio à tese de intervenção ilegal (Imagem: Shutterstock)
🚨 A prisão de Nicolás Maduro em território venezuelano por forças norte-americanas desencadeou uma das maiores crises diplomáticas da história recente na América Latina.
Durante a reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador brasileiro Benoni Belli proferiu um discurso contundente, afirmando que a retirada forçada de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, configura uma ruptura dos limites essenciais do direito internacional. 
Para o Itamaraty, a operação não foi uma ação de justiça, mas sim um "sequestro" conduzido à revelia das normas multilaterais.
O diplomata argumentou que os bombardeios realizados pelos Estados Unidos em solo venezuelano ferem frontalmente a soberania de uma nação vizinha e reabrem feridas históricas de intervenções militares de Washington no continente. 
Segundo Belli, essa ação corrói o edifício multilateral construído ao longo de décadas e ignora tanto a Carta das Nações Unidas quanto os compromissos de não intervenção firmados entre os países das Américas.

Violação das normas multilaterais

A defesa brasileira baseou-se em argumentos técnicos e jurídicos para sustentar sua crítica. 
O embaixador citou a Resolução 297 de 2025 da Comissão Jurídica Interamericana, documento que reforça a proibição do uso da força entre Estados, permitindo tal exceção apenas sob autorização expressa do Conselho de Segurança da ONU, o que não ocorreu no caso da captura de Maduro.
O Brasil sustenta a tese de que a crise interna da Venezuela é um problema político que deve ser resolvido pelos próprios venezuelanos, sem ingerência armada externa. 
Na visão do Itamaraty, o uso da força por uma potência estrangeira para capturar um líder político, independentemente das acusações que pesem contra ele, coloca em risco a autonomia de todos os países da região e fere a tradição latino-americana de solução pacífica de conflitos.

O destino de Maduro

Enquanto a diplomacia brasileira lidera as críticas no hemisfério, o cenário internacional se divide. 
Potências como Rússia e China já manifestaram apoio à tese de intervenção ilegal, enquanto os Estados Unidos mantêm a narrativa de que a operação foi necessária para combater o narcotráfico transnacional.
⚖️ Desde o último sábado (3), Nicolás Maduro e Cilia Flores estão sob custódia em Nova York. Na última segunda-feira (5), o ex-líder venezuelano apresentou-se à justiça norte-americana, declarando-se inocente de todas as acusações de narcotráfico.