Banco Master estava na mira da CVM desde 2022, mas órgão nega omissão

O presidente interino da CVM disse que falta de recursos e pessoal atrapalhou processo.

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Publicado em 24/02/2026 às 15:52h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 24/02/2026 às 15:52h Atualizado 1 minuto atrás por Marina Barbosa
Presidente interino da CVM, João Accioly falou sobre o Master no Senado (Imagem: Saulo Cruz/Agência Senado)
Presidente interino da CVM, João Accioly falou sobre o Master no Senado (Imagem: Saulo Cruz/Agência Senado)
Embora só tenham vindo à tona recentemente, as irregularidades do Banco Master estão na mira da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) há mais de três anos.
🚨 O presidente interino da CVM, João Accioly, disse nesta terça-feira (24) que o órgão detectou movimentações atípicas envolvendo o Master já em 2022 e, desde então, vinha investigando o assunto.

Senador fala em omissão

A informação foi revelada durante uma audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado e bastou para que os senadores acusassem a CVM de omissão.
"Não dá para dizer que a CVM não foi omissa. Como no caso das Americanas (AMER3), o órgão regulador assistiu a tudo de braços cruzados enquanto um monstro era criado", disparou o senador Eduardo Braga (MDB-AM).
Na audiência, os senadores lembraram que o caso Master causou prejuízo a diversos investidores e fundos de pensão e ainda afetou as contas do BRB (BSLI4).
Braga disse, então, que o país estava diante de "uma orgia no mercado financeiro e no mercado bancário brasileiro que precisa acabar".

CVM rebate

O presidente interino da CVM rebateu a acusação de omissão, dizendo que há processos abertos para investigar as movimentações do Master desde 2022. Ele disse ainda que esses processos só não andaram mais rápido porque o órgão sofre de falta de pessoal e orçamento.
"O pessoal trabalha além da capacidade máxima. Tem acúmulo de processos por pessoas", relatou Accioly, dizendo que tudo poderia ser mais rápido se o órgão contasse mais funcionários nas atividades de regulação do mercado de capitais.

Superdimensionamento de fundos

As investigações já realizadas pela CVM mostram que o Banco Master agiu ativamente para inflar os ativos dos fundos em que investia.
Accioly disse ainda que havia "um alinhamento perverso de incentivos entre gestores e investidores para manter essa ficção contábil".
Segundo ele, isso permitiu ao Master apresentar balanços bem mais robustos do que a realidade e, assim, continuar emitindo CDBs (Certificados de Depósito Bancário).
Diante disso, o presidente interino da CVM defendeu regras mais duras de transparência para os cotistas de fundos, a exemplo do que ocorre com os sócios de empresas.

Investigações continuam

⚖️ As investigações sobre o Banco Master voltaram a acelerar na PF (Polícia Federal), depois que o ministro André Mendonça assumiu a relatoria do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).
Mendonça assumiu o caso depois que o ministro Dias Toffoli se afastou da relatoria, em meio a suspeitas de conflitos de interesse. Pouco depois, autorizou a PF a retomar o "fluxo ordinário de trabalho".
Com isso, os policiais federais puderem colher novos depoimentos sobre o caso e voltar a periciar os bens e documentos apreendidos durante as investigações sobre o Master, que haviam sido lacrados no STF por uma decisão de Toffoli. O material inclui documentos e celulares, inclusive de Daniel Vorcaro, o dono do Master.
Mendonça também pediu que os investigadores da PF apresentassem um relato atualizado sobre o estágio das apurações, além dos desdobramentos do caso, em reunião realizada nessa segunda-feira (23).
A expectativa é de que os investigadores avancem com as investigações nos próximos 60 dias, para que o ministro do STF decida sobre o andamento do caso.