📈 O
Ibovespa (IBOV) encerrou a semana com ganho acumulado de 2,71%, aos 177.664,62 pontos, interrompendo uma sequência de três semanas seguidas no negativo.
O retorno do capital estrangeiro foi um dos principais motores da recuperação. O
dólar à vista, por outro lado, fechou em alta de 1% na semana, a R$ 5,1965.
Segundo o Bank of America, os estrangeiros injetaram cerca de R$ 3,2 bilhões no mercado à vista na semana, revertendo parte das saídas de quase R$ 22 bilhões acumuladas no mês. No ano, o saldo estrangeiro segue positivo em R$ 16 bilhões.
IPCA-15 surpreende com deflação
Os dados de emprego trouxeram boas notícias. A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.
O Caged, porém, mostrou geração de 58.568 vagas com carteira assinada em julho, abaixo do esperado pelo mercado.
O
IPCA-15 de agosto trouxe outra surpresa positiva, com recuo de 0,40% no mês e acumulado de 12 meses em 4,24%, melhor do que a expectativa do mercado.
O resultado pressionou a ponta curta da curva de juros, reforçando as apostas de novos cortes na
Selic, atualmente em 14% ao ano. O DI para janeiro de 2027 fechou a semana em 13,610%.
Mercado antecipa alta de juros nos EUA
No exterior, o governo Trump intensificou a pressão sobre o Irã com novas sanções e anunciou tarifas adicionais de 50% sobre veículos e autopeças fabricados no Canadá, que passam a valer em janeiro de 2027.
O Canadá já sinalizou retaliação com tarifas entre 15% e 50% sobre produtos americanos a partir de janeiro.
O evento de maior repercussão, porém, foi o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole.
Warsh afirmou que o Fed "terá trabalho a fazer" caso a inflação não avance rapidamente rumo à meta de 2%, destacando que "o progresso nos últimos dois anos tem sido modesto".
O PCE, medida de
inflação preferida pelo Fed, subiu 3,7% em agosto, acima da meta e das expectativas.
As declarações de Warsh anteciparam as apostas do mercado para uma alta de juros já em setembro, em vez de outubro.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a apontar 57% de chance de elevação de 25 pontos-base, para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano, ante 35,7% antes do discurso.
Yduqs dispara 12% com fusão à vista
Entre as ações do Ibovespa, a
Yduqs (YDUQ3) liderou os ganhos da semana, impulsionada pela confirmação de tratativas para uma combinação de negócios com a Afya.
Segundo o Itaú BBA, a fusão faz sentido estratégico pela complementaridade geográfica das operações.
"As operações de ensino médico das companhias parecem ser geograficamente complementares, com a Afya tendo uma presença mais forte nas regiões Norte e Nordeste, enquanto a divisão de medicina da Yduqs possui maior exposição ao Sudeste", avalia o banco.
O BBA estima que uma plataforma combinada, com 5.888 vagas de medicina, representaria cerca de 15% do mercado, tornando a empresa resultante a maior do país em número de vagas médicas.
Maiores altas da semana
Brava Energia lidera perdas
Do lado negativo, a
Brava Energia (BRAV3) liderou as quedas da semana, pressionada por incertezas sobre os planos da controladora colombiana Ecopetrol, que assumiu o comando da empresa neste mês.
Durante teleconferência com investidores, a administração ofereceu poucos detalhes concretos sobre a estratégia futura.
O BTG Pactual classificou os comentários como preliminares. "A falta de clareza em relação a futuras mudanças na administração, à possível integração com os ativos brasileiros existentes da Ecopetrol, às prioridades de alocação de capital e até mesmo à metodologia de consolidação contábil significa que vários elementos importantes da tese de criação de valor permanecem indefinidos", avaliou o banco.
Analistas do Bank of America chegaram a conclusão semelhante. "A visibilidade sobre a alocação de capital e a composição do Conselho de Administração da Brava também permanece limitada.
📉 A própria Ecopetrol parece ainda estar desenvolvendo uma compreensão mais profunda da Brava, o que pode levar meses", escreveram Leonardo Marcondes, Caio Ribeiro e Nicolas Barros.
Maiores quedas da semana