📉 O Brasil acaba de perder mais um defensor entre os grandes bancos internacionais. O Morgan Stanley rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de overweight (compra) para equal-weight (neutro), citando a deterioração da relação entre risco e retorno no mercado local.
A decisão segue o mesmo movimento feito pelo JPMorgan em 11 de agosto, quando o banco americano também migrou para neutro apontando o fim do ciclo de cortes da
Selic, a desaceleração econômica e a piora do crédito como razões.
Os analistas Nikolaj Lippmann, Julia L. Nogueira e Marcos Rios justificam o rebaixamento pelo peso crescente de fatores como a desaceleração doméstica, as preocupações fiscais persistentes e a incerteza sobre a continuidade das políticas públicas, especialmente nos setores mais expostos ao ciclo interno.
"É importante destacar que nosso rebaixamento não representa uma visão direcional sobre as eleições do quarto trimestre de 2026", escrevem os analistas, embora reconheçam que os riscos fiscais e de política econômica estejam aumentando no horizonte.
Morgan Stanley migra risco para o Chile
O banco não descartou completamente o Brasil. Na avaliação dos analistas, ainda é cedo para assumir uma postura mais baixista, já que uma eventual mudança de política que reforce a credibilidade fiscal poderia abrir espaço para juros mais baixos e favorecer uma recuperação liderada por investimentos.
Por isso, o Morgan Stanley optou por reduzir a alocação geral, mantendo exposição seletiva em setores com crescimento global, especialmente energia e agricultura.
"Por isso, preferimos reduzir nossa alocação geral ao Brasil, mantendo exposição seletiva aos motores de crescimento global e ao potencial de valorização associado a mudanças de política", diz o relatório.
O risco realocado foi para o Chile, cuja recomendação subiu de equal-weight para overweight.
O banco cita o ciclo crescente de investimentos impulsionado pelo capex global em
inteligência artificial e um ambiente de políticas públicas mais favorável, incluindo desregulamentação e projetos estratégicos, como os principais motores da mudança.
BB, XP, B3 e Copel são cortados
A postura mais defensiva se reflete diretamente na carteira brasileira do banco. A
Suzano (SUZB3) foi incluída como proteção contra uma possível desvalorização do real.
A
Copel (CPLE3) também saiu do portfólio por falta de catalisadores à frente, embora o banco mantenha recomendação de compra para o setor de utilities como um todo.
📈 O precedente do JPMorgan, cujo rebaixamento de agosto deflagrou 11 pregões consecutivos de queda no Ibovespa, a pior sequência do índice desde 2023, deve manter o mercado em alerta para o impacto que o novo movimento do Morgan Stanley pode provocar no fluxo de capital estrangeiro nas próximas sessões.