Em tempos de taxas recordes no
Tesouro Direto, em que IPCA+ 8% ao ano é até corriqueiro, ainda é possível travar retorno mais arrojado (próximo de
IPCA+ 11% ao ano até 2035) na
renda fixa, desde que o investidor esteja disposto a assumir risco de calote substancialmente maior e abrir mão da liquidez diária.
Com tais predicados, os
CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) emitidos pela Eldorado Brasil arrancaram elogios de analistas do BTG Pactual, em relatório publicado em agosto de 2026. Esses títulos de crédito privado foram lançados no mercado em setembro de 2025, com rating de 'AA' dado pela Fitch, captando R$ 500 milhões e ofertando na época remuneração de IPCA+ 7,72% ao ano.
Quase um ano após, os
CRAs emitidos pela Eldorado Brasil apresentavam nesta quinta-feira (27) taxa indicativa de IPCA+ 9,04% ao ano (remuneração equivalente a se o
Tesouro Direto pagasse
IPCA+ 10,65% ao ano). Aliás, o
Tesouro IPCA+ 2035 serve de referencial para essa emissão de crédito privado, sendo que atualmente o governo paga IPCA+ 7,87% ao ano.
Quem havia se travado com juros compostos menores lá atrás nos
CRAs da Eldorado Brasil carrega baita prejuízo na marcação a mercado, caso queira (e consiga) resgatar o dinheiro antecipadamente antes da data de vencimento em setembro de 2035, visto que as taxas subiram e corrigem para baixo o preço unitário dos títulos.
Só que os analistas Frederico Khouri e Luís Fernando Gonçalves argumentam que os atuais juros compostos pagos pela Eldorado Brasil, representante do mercado de celulose, encontram respaldo na geração de caixa livre resiliente e forte capacidade de desalavancagem, já que todo cuidado é pouco quando não se tem a proteção do
FGC (Fundo Garantidor de crédito).
"Quem adquire
CRAs emitidos pela Eldorado Brasil tem, indiretamente, o suporte financeiro da holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que recebe fluxo de
dividendos da
JBS (JBSS32). Fora que os ativos florestais oferecem flexibilidade financeira, como fonte de liquidez, em momentos em que os preços da celulose possam ficar desfavoráveis", destaca a dupla de especialistas.
Os resultados mais recentes da Eldorado Brasil mostram que a empresa mantém saldo em caixa de R$ 5,3 bilhões, sendo que, em até 12 meses, já terá que arcar com dívidas de R$ 3,2 bilhões. Em 2027, são mais R$ 3,9 bilhões em amortização, seguidos de R$ 5,3 bilhões em 2028. A partir de 2029 em diante, o saldo devedor já soma R$ 7,2 bilhões.