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Vale (VALE3) expandiu seu pipeline de investimentos nos últimos anos, mas esbarrou em um obstáculo que vai além de capital ou licenciamento.
O CEO Gustavo Pimenta afirmou nesta sexta-feira (28) que a companhia enfrenta dificuldades concretas para formar engenheiros suficientes para tocar seus novos projetos.
"Estamos com dificuldades de formar novos líderes, formar novos engenheiros, para a Vale, isso é uma dor…", disse o executivo a uma plateia do Lide, grupo de líderes empresariais, ao destacar que a capacitação técnica é essencial para viabilizar projetos de mineração cada vez mais complexos.
Vale já recorre a engenheiros de fora do Brasil
Segundo Pimenta, a companhia vem estabelecendo parcerias com escolas técnicas e faculdades de engenharia para tentar suprir a demanda interna, mas reconhece que o problema é estrutural para toda a indústria.
"É um tema de atenção, estamos fazendo parcerias, sejam com escolas técnicas, sejam turmas de faculdades de formação, mas este é o calcanhar de Aquiles da indústria hoje, formação e capacitação", afirmou.
Em alguns casos, a escassez já forçou a Vale a buscar profissionais fora do país.
"Isso não é adequado, a gente deveria ser capaz de cobrir tudo com os recursos internos", ponderou o executivo, que também mencionou parcerias com o sistema S de formação profissional como parte da estratégia para reduzir essa dependência.
Expansão aumentou a demanda por mão de obra técnica
O gargalo de engenheiros surge justamente em um momento de forte expansão dos investimentos da mineradora.
No ano passado, a Vale anunciou dois grandes pacotes: R$ 70 bilhões destinados ao Programa Novo Carajás até 2030, voltado à expansão de minas e ao aumento da produção de minério de ferro e cobre, além de um montante semelhante para os ativos localizados em Minas Gerais no mesmo horizonte.
"Com essa aceleração do próprio 'pipeline' de crescimento da Vale, estamos fazendo mais projetos, a empresa voltou a crescer… a gente se deparou com esse desafio de falta de engenheiros e de falta de empresas de engenharia fortalecidas que pudessem nos auxiliar", explicou Pimenta.
Pimenta diz que setor precisa atrair jovens
Ainda neste mês, em evento realizado em Brasília, o executivo já havia defendido que o Brasil retome a realização de megaprojetos de mineração na faixa de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões, afirmando que a Vale possui capital disponível para viabilizar iniciativas dessa magnitude.
Para Pimenta, um dos maiores desafios do setor é convencer os jovens de que a indústria de base ainda tem relevância e propósito.
"O que a gente faz de fato muda o mundo, acredito profundamente que a mineração faz o mundo melhor", declarou.
📊 O executivo também demonstrou otimismo em relação à edição de um decreto voltado à regulamentação das cavidades no setor de mineração, medida que, segundo ele, poderia acelerar processos de licenciamento ambiental e destravar novos investimentos.