Ibovespa pode chegar a 240 mil pontos com eleições e queda de juros, diz banco

O Morgan Stanley vê o Brasil num impasse, com gestores globais comprando demais, enquanto investidores locais vendem além da conta.

Author
Publicado em 13/05/2026 às 19:45h Publicado em 13/05/2026 às 19:45h por Matheus Silva
O Brasil é apontado como um dos favoritos na região (Imagem: Shutterstock)
O Brasil é apontado como um dos favoritos na região (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Morgan Stanley reiterou classificação overweight para o Brasil na América Latina e projetou o Ibovespa (IBOV) em 240 mil pontos no cenário-base para meados de 2027, em relatório sobre os próximos doze meses do mercado da região. 
O retorno estimado corresponde a cerca de 31% em reais e 22% em dólares frente aos níveis atuais. Ao mesmo tempo, o banco alertou que o curto prazo "exige cautela", citando que o petróleo mais alto por mais tempo representa risco para o afrouxamento das condições financeiras e para o crescimento econômico.
A visão positiva se apoia em três pilares, que são o rebalanceamento do mercado, possíveis mudanças de política após as eleições presidenciais e o potencial de fluxo de capital local de volta para a renda variável. 
O Brasil é apontado como um dos favoritos na região para gastos com infraestrutura de inteligência artificial e para absorver novos investimentos em mercados impulsionados por energia e commodities.

Brasil sobrecomprado por estrangeiros e sobrevendido por locais

O Morgan Stanley acredita que o Brasil está simultaneamente sobrecomprado por gestores de mercados emergentes e sobrevendido por investidores locais. 
O peso do país entre os emergentes está na faixa superior observada nos últimos 20 anos, mas a participação do investidor local em ações domésticas está em um mínimo histórico de cerca de 4%, contra uma média histórica próxima a 9%.
Essa distorção cria uma oportunidade relevante. Se investidores globais adotassem uma alocação igualitária em mercados emergentes, o fluxo adicional poderia chegar a cerca de US$ 30 bilhões. 
Mas o maior potencial identificado pelo banco está no capital local, que com a Selic em queda, o rebalanceamento dos portfólios domésticos de renda fixa para renda variável pode atrair entradas significativas para a bolsa.

Cortes na Selic podem injetar US$ 23 bi no Ibovespa

O Morgan estimou que cada corte de 50 pontos-base na Selic corresponde a aproximadamente US$ 2 bilhões em entradas provenientes de realocação doméstica. 
Com os economistas da casa prevendo cortes de 450 pontos-base até o final de 2027, taxa chegando a 13% no final de 2026 e a 10,5% no final de 2027, o banco projeta entrada de aproximadamente US$ 23 bilhões no mercado acionário. Somando entradas mensais adicionais, o fluxo de referência para o Ibovespa ao longo de 18 meses seria de US$ 25 bilhões.
Em termos de preferência de instrumento, o Morgan prefere o Ibovespa ao MSCI Brasil para capturar esses fluxos locais, uma vez que o índice local tende a se beneficiar mais diretamente da realocação doméstica. 
O banco ressalva, porém, que isso não significa preferência por small caps, dado que cerca de 90% do Ibovespa é composto por ações também presentes no MSCI Brasil.

Equatorial, Axia e Vibra são as ações com maior potencial

Considerando um fluxo de referência de US$ 25 bilhões ao longo de 18 meses, o Morgan destaca três ações com classificação overweight que devem receber as maiores entradas em relação à liquidez: 
O banco também elevou sua posição em Petrobras (PETR4) e Copel (CPLE3) em meio ao cenário de petróleo mais alto decorrente dos conflitos no Oriente Médio, reforçando a visão positiva para o setor de energia no Brasil.

Dois cenários eleitorais, dois grupos de ações

Ainda que reconheça ser cedo para ter confiança no resultado eleitoral, o Morgan apresentou dois grupos de ações para orientar o posicionamento dos investidores conforme o desfecho de outubro de 2026.
Para o cenário de mudança de política, com transição estrutural do consumo para o investimento, o banco destaca serviços financeiros sensíveis a juros como Nubank (ROXO34), XP (XPBR31), BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3); empresas de consumo como Mercado Livre (MELI34), Cyrela (CYRE3) e Vivara (VIVA3); estatais como Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3); e empresas ligadas a investimentos como Axia (AXIA3), Rumo (RAIL3) e Motiva (MOTV3).
Para o cenário de continuidade da política econômica, com modelo impulsionado pelo estímulo fiscal, o banco elege empresas com receita em moeda forte como Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), JBS (JBSS3) e Suzano (SUZB3); financeiras que se beneficiam de juros elevados como Itaú Unibanco (ITUB4), BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto (PSSA3); e telecomunicações defensivas como TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3).

Riscos no radar incluem inflação e juros elevados

O banco reconhece riscos que podem comprometer o cenário positivo. A inflação impulsionada pelo setor de energia pode manter os juros elevados por mais tempo, especialmente se isso levar a um crescimento frágil que se transforme em recessão. 
📊 "A materialização desse cenário nos levaria a adotar uma perspectiva mais pessimista, embora o risco permaneça baixo, visto que nossos economistas também interpretaram a recente reunião do Copom como dovish, apesar da renovada pressão do conflito no Oriente Médio", aponta o banco.