O
Santander (SANB11) voltou ao centro das atenções do mercado, depois que a sua matriz espanhola fez uma
oferta pelas ações negociadas na B3.
O grupo financeiro espanhol entrou no mercado brasileiro por meio de parcerias em 1957 e só abriu a sua primeira agência no país em 1982. Depois disso, decidiu apostar pesado no Brasil.
O Santander tornou-se um dos maiores bancos brasileiros em 2000, por meio da aquisição do Banespa, o Banco do Estado de São Paulo.
O negócio foi fechado por R$ 7,05 bilhões e representou a privatização mais cara já realizada no Brasil até então.
Com a aquisição, o Santander retirou as ações do Banespa da B3 e fortaleceu a atuação no país para depois fazer a sua própria estreia na Bolsa.
O IPO do Santander Brasil
O IPO do Santander Brasil aconteceu em 7 de outubro de 2009 e envolveu a emissão de aproximadamente 560,9 milhões de Units, já sob o ticker
SANB11.
À época, o papel era formado por 55 ações ordinárias (
SANB3) e 50 ações preferenciais (
SANB4) e foi precificado por R$ 23,50.
💰 Dessa forma, o Santander levantou R$ 13,1 bilhões com o IPO e fez história no mercado brasileiro.
A oferta inicial de ações foi a maior realizada em todo o mundo em 2009, o que evidencia a força do mercado acionário brasileiro à época. Além disso, até hoje representa o maior IPO da B3.
Porém, vale uma ressalva. Os dados históricos de IPO da B3 remontam a 2004. Por isso, não contemplam as aberturas de capital realizadas antes disso, como as da
Petrobras (PETR4),
Itaú (ITUB4) e
Vale (VALE3).
Os maiores IPOs da B3
Além do Santander, só outras duas empresas conseguiram arrecadar mais de R$ 10 bilhões ao abrir capital na B3.
A lista dos maiores IPOs da B3 segue com a Visanet, que logo depois de abrir o capital virou a
Cielo -empresa de maquininhas de cartão que acabou se despedindo da Bolsa em 2024.
O Carrefour Brasil, que deixou a B3 em 2025 após uma oferta da
matriz francesa similar à que será realizada pelo Santander, também aparece na relação.
A lista dos maiores IPOs da B3 ainda conta com outros nomes que não fazem mais parte do dia a dia do investidor brasileiro.
Um deles é o da OGX Petróleo, a empresa de Eike Batista que acabou entrando em recuperação judicial, virou a Dommo Energia e depois foi absorvida pela
Prio (PRIO3).
A Bovespa e a BM&F, que se uniram e depois deram origem à
B3 (B3SA3), também figuram até hoje na lista de maiores IPOs da Bolsa brasileira, além da Petrobras Distribuidora, que passou a se chamar
Vibra (VBBR3) após a privatização.
Ainda assim, há espaço para empresas que seguem no radar dos investidores, como a
Raízen (RAIZ4). A produtora de etanol e cana-de-açúcar, por sinal, assina o mais recente dos grandes IPOs da B3.
Veja os 15 maiores IPOs da B3:
- Santander Brasil (SANB11): R$ 13,182 bi em 7 de outubro de 2009;
- BB Seguridade (BBSE3): R$ 11,475 bi em 29 de abril de 2013;
- Rede D'Or (RDOR3): R$ 11,390 bi em 10 de dezembro de 2020;
- Visanet: R$ 8,397 bi em 29 de junho de 2009;
- OGX Petróleo: R$ 6,711 bi em 13 de junho de 2008;
- Raízen (RAIZ4): 6,709 bi em 5 de agosto de 2021;
- Bovespa: R$ 6,625 bi em 26 de outubro de 2007;
- BMF: R$ 5,983 bi em 30 de novembro de 2007;
- Petrobras Distribuidora: R$ 5,024 bi em 15 de dezembro de 2017;
- Carrefour Brasil: R$ 4,972 bi em 20 de julho de 2017;
- CSN Mineração (CMIN3): R$ 4,965 bi em 18 de fevereiro de 2021;
- Redecard: R$ 4,642 bi em 13 de julho de 2007;
- Caixa Seguridade (CXSE3): R$ 4,351 bi em 29 de abril de 2021;
- Grupo Mateus (GMAT3): R$ 4,161 bi em 13 de outubro de 2020;
- Neoenergia: R$ 3,744 bi em 28 de junho de 2019.
Santander subiu 135% desde o IPO
Atualmente, cada Unit do Santander é composta por uma ação ordinária e uma ação preferencial, uma relação bem menor que a do IPO.
O papel era negociado por R$ 28,62 no fechamento de sexta-feira (31), quando saltou 13,35% diante da notícia de que a matriz espanhola do banco pretende lançar uma oferta pelo ativo.
Ainda assim, o papel acumula uma desvalorização superior a 15% em 2026, que reflete as incertezas do mercado com a rentabilidade do banco brasileiro.
Já no acumulado desde o IPO, a Unit do Santander oferece um ganho superior a 135% para os acionistas até 31 de julho de 2026.
O que fazer com o papel?
- 0,2028 BDRs ou ADSs do Banco Santander para cada ação ordinária ou ação preferencial do Santander Brasil;
- 0,4056 BDRs ou ADSs do Banco Santander para cada Unit ou ADS do Santander Brasil.
De acordo com a instituição, essa relação de troca representa um prêmio de 15% sobre a cotação dos papeis no fechamento da última quinta-feira (30).
O balanço veio abaixo do esperado, devido ao aumento das provisões, e fez com que o mercado passasse a prever uma recuperação mais lenta da rentabilidade do banco.
Veja a análise dos resultados.
⚠️ Na avaliação do mercado, o baixo desempenho dos últimos trimestres abriu espaço para a oferta da matriz espanhola. Porém, analistas também apontam riscos na OPA.
De um lado, o investidor que aceitar a oferta ganhará exposição a um banco internacional. Porém, ficará sujeito à variação cambial até o fechamento da oferta, já que a relação de troca é em BDRs e não em reais.
Por outro lado, o investidor que decidir manter os papeis do Santander Brasil corre o risco de ficar com um ativo de baixa liquidez na carteira.
Afinal, o banco continuará listado na B3, mas a liquidez do papel cairá substancialmente se um grande número de investidores aceitar a oferta do grupo espanhol.
Confira a reação do mercado à OPA.
Já a presidente do Banco Santander, Ana Botín, disse que a operação deve elevar o lucro e o valor tangível por ação.
Segundo ela, a operação faz parte da estratégia do banco de alocar capital de forma disciplinada, simplificar o grupo e continuar reforçando o nosso compromisso com o Brasil a longo prazo".