Ibovespa fecha no maior nível da história com Flávio à frente nas pesquisas; dólar cai

O principal índice da bolsa brasileira subiu 1,38% e fechou aos 209.066,90 pontos, o maior patamar de fechamento já registrado.

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Publicado em 09/10/2026 às 18:14h - Atualizado em 09/10/2026 às 18:26h Publicado em 09/10/2026 às 18:14h Atualizado em 09/10/2026 às 18:26h por Matheus Silva
Magazine Luiza disparou 62,29% na semana, a maior alta do Ibovespa (Imagem: Shutterstock)
Magazine Luiza disparou 62,29% na semana, a maior alta do Ibovespa (Imagem: Shutterstock)
📈 O Ibovespa (IBOV) encerrou a primeira semana do segundo turno no ponto mais alto de sua história. Nesta sexta-feira (9), o principal índice da bolsa brasileira subiu 1,38% e fechou aos 209.066,90 pontos, o maior patamar de fechamento já registrado. 
Durante o pregão, o índice chegou a tocar 209.713,45 pontos, nova máxima histórica intradiária, depois de oscilar desde a mínima de 206.237,55 pontos. O volume financeiro somou R$ 56,50 bilhões.
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O desempenho coroou uma semana excepcional para os ativos brasileiros. Desde o primeiro turno, o Ibovespa acumulou valorização de 8,82%, impulsionada principalmente pela disparada de 7,70% registrada na segunda-feira (5). Em outubro, a alta já chega a 12,20%, e no acumulado de 2026, a 29,75%.
No câmbio, o real também teve um dia de força. O dólar comercial recuou 0,78% e fechou cotado a R$ 4,985, voltando a ser negociado abaixo de R$ 5. A moeda americana oscilou entre R$ 4,976 e R$ 5,009 ao longo do dia e acumulou queda de 4,44% na semana. 
O movimento foi na contramão do exterior, onde o índice DXY subiu 0,11%, aos 102,25 pontos. Os juros futuros também cederam, com as taxas dos contratos de prazo mais longo recuando mais de 15 pontos-base.

Datafolha e Atlas mostram Flávio na frente no segundo turno

O grande motor do dia foi a política. Duas pesquisas divulgadas entre a noite de quinta-feira e a manhã desta sexta mostraram o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O Datafolha apontou Flávio com 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula, configurando empate técnico no limite da margem de erro de dois pontos percentuais. Já o levantamento AtlasIntel, contratado pela Bloomberg, mostrou o senador com 51,1%, ante 45,7% do petista. Na rodada anterior do mesmo instituto, os números eram de 47,4% para Flávio e 47,6% para Lula.
A nova pesquisa, com margem de erro de um ponto percentual, rompeu o empate técnico observado anteriormente. O AtlasIntel ouviu 5.026 pessoas pela internet entre 3 e 8 de outubro.
A leitura do mercado sobre os números reacendeu o chamado trade eleitoral, que vem conduzindo os preços dos ativos desde a abertura das urnas do primeiro turno.
O otimismo com as pesquisas acabou deixando em segundo plano um dado que, em outro contexto, poderia ter pesado sobre o mercado. O IPCA de setembro subiu 0,82%, acima da projeção de 0,73%, depois de recuar 0,32% em agosto. Em 12 meses, a inflação oficial chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central.

Governo amplia subsídios aos combustíveis por 30 dias

Também nesta sexta, o governo anunciou a ampliação dos subsídios sobre gasolina, etanol e diesel, com validade de 30 dias. No caso da gasolina, o benefício passa de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, o que zera a tributação federal de PIS/Cofins e Cide sobre o combustível. 
Para o etanol, além da desoneração de R$ 0,19 por litro, a subvenção sobe de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. No diesel, além do benefício de R$ 2,12 por litro já em vigor, foi criada uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro para o produto importado.
Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo das medidas deve chegar a cerca de R$ 2,7 bilhões por mês. Para viabilizar os pagamentos, o presidente Lula editou a Medida Provisória 1.395, que abre crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões.

Varejo e construtoras lideram o rali

Na bolsa, o destaque absoluto foi o varejo. O Magazine Luiza (MGLU3) disparou 20,49% no dia e acumulou alta de 62,29% na semana, a maior valorização do Ibovespa no período.
As Lojas Renner (LREN3) também passaram por leilão e fecharam em alta de mais de 10%, enquanto a Riachuelo (RIAA3) e a Casas Bahia (BHIA3) chegaram a subir mais de 12% ao longo da sessão.
As construtoras também tiveram um dia forte, impulsionadas pela queda dos juros futuros e pela divulgação de prévias operacionais do terceiro trimestre. A MRV (MRVE3) saltou 22,40%, depois de informar vendas líquidas de R$ 3 bilhões, alta de 29,6%, e geração de caixa de R$ 456 milhões no período. Cury (CURY3), Cyrela (CYRE3) e Tenda (TEND3) também figuraram entre as maiores altas do índice.
Entre os pesos pesados, a Petrobras (PETR4) avançou em linha com a alta do petróleo, e os grandes bancos tiveram um dia majoritariamente positivo, com destaque para o BTG Pactual (BPAC11) e o Itaú Unibanco (ITUB4). O Santander (SANB11) foi a exceção e recuou.
Do lado negativo, a Vale (VALE3) fechou praticamente estável, em meio à queda do minério de ferro na China para o menor nível desde abril de 2025. O setor de telecomunicações sofreu após movimentações da Starlink no mercado brasileiro, com a TIM (TIMS3) caindo 5,08% e a Vivo (VIVT3) também em baixa.
A Embraer (EMBJ3) recuou 1,38% e terminou a semana como a pior ação do Ibovespa, com queda de 9,96%.

Maiores altas do Ibovespa na semana

Maiores quedas do Ibovespa na semana

O apetite por risco ficou ainda mais evidente entre as empresas menores. O índice de Small Caps (SMLL) subiu 4,26% no dia, aos 2.824,09 pontos, e acumulou alta de 20,14% na semana. O IFIX, de fundos imobiliários, avançou 0,98%, aos 3.988,54 pontos, com ganho semanal de 5,74%.

Wall Street sobe com recuperação das ações de IA

No exterior, as bolsas americanas fecharam o dia e a semana no azul. O Dow Jones subiu 0,83%, o S&P 500 avançou 0,59% e o Nasdaq ganhou 0,64%. As ações ligadas à inteligência artificial se recuperaram parcialmente da queda da véspera, depois que a OpenAI sinalizou expectativa de alcançar ou superar US$ 70 bilhões em receita anualizada até o fim do ano.
📊 O petróleo chegou a cair pela manhã, após o presidente americano Donald Trump afirmar que os Estados Unidos não atacariam o Irã antes das eleições legislativas de novembro, mas virou ao longo do dia. O Brent para novembro fechou em alta de 0,42%, a US$ 104,72 o barril, e o WTI avançou 0,39%, a US$ 91,85.