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Bradesco (BBDC4) está entre os maiores beneficiados pelo chamado trade Flávio, movimento de alta dos ativos brasileiros impulsionado pelo resultado favorável ao senador
Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.
Entre 28 de setembro e esta terça-feira (6), as ações do banco acumularam valorização de 26%, o que adicionou cerca de R$ 50 bilhões ao seu valor de mercado.
Para o JPMorgan, porém, o espaço para ganhos ainda não se esgotou. O banco americano elevou a recomendação para o Bradesco de neutra para compra e revisou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 28, o que indica potencial de valorização de 25% em relação às cotações atuais.
A revisão vai na contramão do que se viu com o
Banco do Brasil (BBAS3) no mesmo período. Os papéis do Bradesco fecharam 6,42%, a R$ 24,64.
Desafios de curto prazo já estão no preço, diz o banco
No relatório, os analistas reconhecem que o Bradesco ainda enfrenta dificuldades no curto prazo, mas avaliam que a instituição passou a oferecer uma tese de recuperação mais convincente. Na leitura do JPMorgan, o sentimento do mercado já incorpora uma parte relevante desses obstáculos.
Um dos pontos de atenção levantados é o efeito de juros mais baixos sobre os resultados da área de seguros.
"Embora nos preocupemos com a possibilidade de taxas mais baixas resultarem em menores ganhos com seguros, observamos que a receita líquida de juros (NII) do mercado tende a apresentar bom desempenho", afirmam os analistas.
Capital mais robusto que o do Banco do Brasil pesa a favor
Outro argumento central da tese é a solidez do balanço. Na comparação com o Banco do Brasil, o JPMorgan considera que o Bradesco tem hoje uma posição de capital mais confortável, resultado de decisões da atual gestão.
"Acreditamos que a administração está tomando as medidas corretas ao capitalizar dividendos no banco para melhorar seu balanço patrimonial tangível", afirmam. "Sim, ainda há um longo caminho a percorrer, mas a direção é correta", resumem.
Múltiplo pode voltar a 1,4 vez o valor patrimonial
Pelos cálculos do JPMorgan, o Bradesco negocia atualmente a 1,1 vez o valor patrimonial. Os analistas enxergam espaço para que esse múltiplo avance para a faixa entre 1,3 e 1,4 vez, patamar já observado no passado.
O banco ressalta, no entanto, que a revisão do preço-alvo não veio de uma melhora nas projeções de resultado.
📊 "Nosso novo preço-alvo é impulsionado exclusivamente pela redução do custo de capital (CoE), visto que nossas revisões de lucro por ação (EPS) foram marginalmente negativas para o curto prazo", explicam os analistas.