Ibovespa emenda 5ª semana no vermelho com bancos caindo; dólar vai a R$ 5,07

O índice acumulou queda de 3,71% na semana, a quinta seguida no vermelho, com saída de R$ 17 bilhões de estrangeiros e crise política.

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Publicado em 15/05/2026 às 17:59h Publicado em 15/05/2026 às 17:59h por Matheus Silva
O dólar subiu 1,63%, fechando a R$ 5,06 (Imagem: Shutterstock)
O dólar subiu 1,63%, fechando a R$ 5,06 (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Ibovespa (IBOV) encerrou esta sexta-feira (16) com queda de 0,61%, aos 177.283,83 pontos, registrando a quinta semana consecutiva no vermelho. Na mínima intradia, o índice chegou a 175.417,25 pontos. 
No acumulado semanal, a perda foi de 3,71%. O dólar comercial subiu 1,63%, fechando a R$ 5,06, sem ficar abaixo de R$ 5 em nenhum momento do pregão. Os DIs avançaram por toda a curva.
Na quarta-feira (13), os ativos sofreram após o vazamento de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apareceu pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, preso como pivô do escândalo do Banco Master, para concluir um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 
Novas informações divulgadas pela imprensa na quinta-feira (14) contradisseram declarações da família sobre a gestão dos recursos. No acumulado, investidores estrangeiros retiraram R$ 17 bilhões da bolsa brasileira, e o JPMorgan alertou que "não é hora de voltar."

Reunião Trump-Xi decepciona mercados com contradições

No exterior, a euforia inicial gerada pela reunião entre o presidente americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping em Pequim deu lugar à cautela. 
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou que Pequim e Washington concordaram em ampliar o comércio bilateral "sob uma estrutura de redução tarifária recíproca", comentário que contradiz declarações recentes de Trump de que tarifas não foram discutidas na reunião com Xi.
As expectativas de avanço nas negociações sobre o Estreito de Ormuz e uma eventual influência chinesa sobre o Irã também não se materializaram. 
O Irã afirmou não ter mais confiança nos EUA e sinalizou que só negociará "se for algo sério." Trump, por sua vez, declarou ter perdido a paciência com os iranianos.

Petróleo volta a US$ 110 e Wall Street fecha no vermelho

Com o impasse geopolítico renovado, o petróleo disparou e os preços voltaram a se aproximar de US$ 110 o barril. O ouro recuou mais de 2%. As bolsas europeias e Wall Street encerraram em queda
A CNBC destacou que o mercado americano tem apresentado desempenho impulsionado principalmente pelas maiores empresas de tecnologia, uma concentração que preocupa analistas. 
"Não me parece correto dizer que o setor de tecnologia vai liderar para sempre. Um único fator surgindo e impulsionando o mercado é inerentemente mais arriscado do que se houvesse vários fatores simultaneamente", afirmou Jed Ellerbroek, da Argent Capital Management. 
No lado positivo, a produção industrial americana surpreendeu em abril, puxada por automóveis, no último dia de Jerome Powell à frente do Federal Reserve. Kevin Warsh assume a presidência do banco central americano a partir de agora.

Serviços brasileiros decepcionam com queda

No Brasil, o setor de serviços registrou retração de 1,2%, resultado bem abaixo do esperado pelo mercado. 
A XP Investimentos avaliou que o dado deve ser interpretado com cautela, destacando que o aumento do comprometimento de renda das famílias com o serviço da dívida segue como vetor negativo, limitando a demanda discricionária.
Por outro lado, o mercado de trabalho robusto, combinado ao aumento das transferências fiscais e medidas de estímulo, deve sustentar a demanda doméstica nos próximos meses, segundo a casa.

Petrobras e Vale sobem; bancos e siderúrgicas decepcionam

Na bolsa, a Petrobras (PETR4) avançou 1,04% na esteira da alta do petróleo internacional. A PRIO (PRIO3) subiu 2,24%. 
A Vale (VALE3) encerrou com alta de 0,76%, mesmo com o minério de ferro acumulando quatro quedas seguidas na China.
Os bancos tiveram um desempenho negativo generalizado após o lucro consolidado dos grandes bancos privados cair pela primeira vez em mais de dois anos no primeiro trimestre. 
O Banco do Brasil (BBAS3) recuou 0,29%, o Bradesco (BBDC4) perdeu 0,84%, o Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,73% e o Santander (SANB11) cedeu 0,81%. A B3 (B3SA3) fechou com queda de 1,36%.
As siderúrgicas sofreram ainda mais. A Usiminas (USIM5) despencou 7,79%, a CSN (CSNA3) perdeu 3,75% e a Gerdau (GGBR4) recuou 1,02%. 
📊 O GPA (PCAR3) caiu 1,74% após divulgar balanço do 1T26 com melhora na rentabilidade, mas sem evitar o prejuízo bilionário. A Cyrela (CYRE3) recuou 0,18% após resultado do 1T26 abaixo das expectativas.