Ibovespa cai pela 3ª vez consecutiva e se aproxima do pior mês desde 2023

Emplacando o terceiro dia de perdas, o acumulado de maio já cede 6,54%, aproximando o mês do seu pior desempenho desde 2023.

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Publicado em 28/05/2026 às 17:52h Publicado em 28/05/2026 às 17:52h por Matheus Silva
O dólar caiu 0,57%, fechando a R$ 5,032 (Imagem: Shutterstock)
O dólar caiu 0,57%, fechando a R$ 5,032 (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Ibovespa (IBOV) encerrou esta quinta-feira (28) com queda de 0,39%, aos 175.063,41 pontos, a terceira baixa consecutiva. Com o resultado, maio acumula perda de 6,54%, a maior queda mensal desde fevereiro de 2023, quando o índice recuou 7,49%. 
O dólar caiu 0,57%, fechando a R$ 5,032. Já os juros futuros encerraram com predominância de altas após oscilações ao longo do dia.
O principal evento do dia foi a notícia de que EUA e Irã chegaram a um acordo para encerrar o conflito, com a ressalva de que Trump ainda precisa dar seu aval formal. 
Sem confirmação oficial, os mercados mantiveram cautela. O petróleo encerrou misto, com o WTI em alta e o Brent em queda. Em Wall Street, o S&P 500 e o Nasdaq avançaram, enquanto o Dow Jones oscilou sem força para sustentar ganhos consistentes. As bolsas europeias fecharam majoritariamente em baixa.

PIB dos EUA abaixo da prévia e PCE indica início de desinflação

No campo dos dados americanos, o PIB do primeiro trimestre de 2026 em sua segunda prévia ficou abaixo dos 2,0% registrados na primeira leitura. 
O PCE (índice de preços de consumo pessoal), principal termômetro de inflação monitorado pelo Fed (Federal Reserve), veio abaixo do esperado, sinalizando arrefecimento dos preços.
"Achamos que abril marca o início de uma trajetória gradual de desinflação à frente", avaliou o Morgan Stanley. O presidente do Fed de Nova York sinalizou que a política monetária está adequada diante das perspectivas atuais.

Caged abaixo do piso e preços ao produtor disparam

No Brasil, o cardápio de indicadores foi extenso. Os preços ao produtor dispararam em abril, registrando a maior alta em quatro anos, pressionados pelos custos de insumos decorrentes do conflito no Oriente Médio. A taxa de desemprego permaneceu em níveis historicamente baixos.
O Caged de abril registrou saldo positivo na criação de vagas formais, mas abaixo do piso esperado pelo mercado. O governo central registrou superávit primário de R$ 25,198 bilhões, acima das expectativas.
O Bank of America (BofA) passou a questionar a tese do dólar fraco, que foi o principal motor das alocações estrangeiras na América Latina em 2026.

Petrobras anuncia reajuste da gasolina

A Petrobras (PETR4) recuou 0,72% e foi o principal destaque negativo entre as blue chips. A companhia anunciou reajuste no preço da gasolina, mas com impacto limitado diante do mecanismo de subsídio do governo federal.
Para o Itaú BBA, o aumento visa viabilizar operacionalmente o subsídio, sem alterar materialmente o preço líquido realizado pela empresa. 
"Como o decreto exige que o desconto seja explicitamente refletido nas notas fiscais, a Petrobras precisava anunciar esse aumento para operacionalizar o subsídio no nível de faturamento. Dado o aumento residual imaterial de R$ 0,04/litro, esse ajuste não resolve a ainda persistente diferença de preço da gasolina", afirmou o banco, em referência à diferença causada pela alta internacional do petróleo.

Vale avança, bancos recuam e varejo fecha misto

A Vale (VALE3) subiu 0,61%, encaminhando-se para um mês positivo, com alta superior a 3% em maio. 
Já nos grandes bancos, a queda foi acentuada. O Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 2,18%, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,79%, o Santander (SANB11) caiu 0,91% e o Bradesco (BBDC4) encerrou com baixa de 0,56%.
No varejo, o Magazine Luiza (MGLU3) perdeu 3,79%, enquanto as Lojas Renner (LREN3) subiram 0,87%. O setor segue entre os mais fragilizados da bolsa em 2026.

Agenda de sexta-feira traz PIB do Brasil no 1T26

📊 No último pregão de maio, o mercado acompanhará o PIB do primeiro trimestre de 2026 no Brasil, além da inflação na Alemanha e do PIB na França, indicadores que podem dar o tom para o início de junho, quando a Copa do Mundo começa a movimentar o cenário de consumo doméstico.