Banco do Brasil (BBAS3) escancara tombo de 44% no Plano Safra 2026/2027

O banco estatal tem bem menos dinheiro à disposição dos produtores rurais na atual safra do que no ciclo anterior.

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Publicado em 22/10/2026 às 15:33h Publicado em 22/10/2026 às 15:33h por Lucas Simões
BBAS3 também fecha a torneira para emissões de LCAs, títulos do agronegócio (Imagem: Divulgação)
BBAS3 também fecha a torneira para emissões de LCAs, títulos do agronegócio (Imagem: Divulgação)
Não é segredo que o Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta dificuldades em sua carteira de crédito voltada ao agronegócio. A novidade nesta quinta-feira (22) é que a estatal quantificou o quanto fechou a torneira no atual Plano Safra 2026/2027, emprestando R$ 31,63 bilhões desde o dia 1º de julho até o último dia 19 de outubro, tombo de -44% ante o mesmo período da safra anterior.
Embora a companhia tenha até expandido ligeiramente em +1,7% sua oferta de crédito aos pequenos produtores rurais adeptos à agricultura familiar, ao financiar R$ 8,44 bilhões, foram os produtores rurais de porte médio que sentiram o baque ao receberem apenas R$ 4,40 bilhões em crédito no acumulado da safra atual, recuo de -44,2% na comparação anual.
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“Liberamos R$ 3,9 bilhões a mais para o Pronamp [programa que atende os produtores rurais de médio porte] de março a junho deste ano em relação ao ano passado. Isso significa que começamos a financiar a safra atual em março, na temporada passada”, justificou o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco, Gilson Bittencourt, em declaração à imprensa.
O executivo do Banco do Brasil também reiterou que a estatal não é a única instituição financeira com forte presença no agronegócio que atravessa ciclo mais desafiador, alegando que cooperativas e demais bancos também reduziram a concessão de crédito à agricultura empresarial de larga escala.
“Quanto maior a inadimplência no mercado, maior a percepção de risco, e os bancos acabam sendo mais restritivos, não apenas com os inadimplentes. O mercado todo está mais cuidadoso (na concessão de crédito) ao grande produtor, seja pela inadimplência real, seja pelo maior risco percebido”, disse Bittencourt aos jornalistas. 
A emissão de títulos de renda fixa voltados ao agronegócio, como as LCAs (Letras Financeiras do Agronegócio), também sentiu a puxada no cabresto dentro do Banco do Brasil, que limitou os empréstimos a R$ 3,7 bilhões na atual safra, ante o montante de R$ 6,7 bilhões no ciclo passado. 
Segundo dados do Investidor10, se você tivesse investido R$ 1 mil em Banco do Brasil (BBAS3) há dois anos, hoje você teria R$ 980,90, já considerando o reinvestimento dos dividendos. A simulação também aponta que o Ibovespa teria retornado R$ 1.567,60 nas mesmas condições.