Apesar da forte retração, o resultado ficou dentro do consenso da Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 3,42 bilhões.
O desempenho reflete uma combinação de fatores que vêm pressionando o banco desde o terceiro trimestre de 2024: a piora da inadimplência no agronegócio e os efeitos da Resolução CMN nº 4.966/2021, que endureceu as regras e obrigou os bancos a elevarem as provisões para calotes.
A elevação expressiva de recuperações judiciais no setor é um dos principais vetores da inadimplência que vem corroendo os resultados do banco trimestre após trimestre.
"O primeiro semestre tende a ser mais apertado — isso já vínhamos discutindo desde o ano passado", afirmou a CEO Tarciana Medeiros, reforçando que a administração já havia sinalizado ao mercado as dificuldades que se concretizaram no trimestre.
O banco ficou mais um trimestre distante dos 20% de rentabilidade, patamar considerado referência pelo mercado.
Inadimplência no agro atinge 5,05%
A inadimplência acima de 90 dias encerrou em 5,05%, alta de 1,42 ponto percentual na comparação anual. A carteira agropecuária registrou o mesmo patamar de inadimplência.
As perdas esperadas associadas ao risco de crédito subiram 18,4% em relação ao ano anterior, embora tenham mantido estabilidade frente ao trimestre anterior, com alta de apenas 0,2%.
Mesmo com a piora nos indicadores de qualidade, o BB expandiu sua carteira de crédito em 2,2% nos últimos 12 meses, para R$ 1,3 trilhão. A carteira de pessoa física atingiu R$ 361 bilhões, crescimento de 7,8% no ano, impulsionada principalmente pelo crédito consignado.
O consignado privado, lançado no ano passado como uma das bandeiras do governo para incentivar o crédito, segue como vetor de crescimento.
A carteira de pessoa jurídica encolheu para R$ 449 bilhões, queda de 1,3% no trimestre e 2,4% no ano, influenciada pela redução nas carteiras de médias, pequenas e grandes empresas.
No agronegócio, a carteira cresceu 3% nos últimos 12 meses, totalizando R$ 418,4 bilhões, com R$ 37,9 bilhões vinculados ao Programa BB Regulariza Agro.
Margem bruta sobe 14,8%, mas margem líquida despenca 37,6%
A margem financeira bruta subiu 14,8%, com as receitas financeiras crescendo 12,3%, totalizando R$ 27,4 bilhões. Já a margem financeira líquida despencou 37,6% no ano, para R$ 8,5 bilhões, refletindo o impacto das provisões mais elevadas.
As receitas com prestação de serviços somaram R$ 8,8 bilhões, estáveis na comparação trimestral e com crescimento de 5,5% no ano, influenciadas por administração de fundos (+8,6%) e operações de crédito (+52,3%). As despesas administrativas atingiram R$ 10 bilhões, alta de 5,5% no ano e 1,3% no trimestre.
"A evolução da margem financeira é fruto do crescimento do crédito, especialmente nas linhas de melhores risco-retorno, com um mix concentrado na pessoa física em crédito consignado e consignado privado. As despesas seguem sob controle, sem comprometer nossos investimentos em tecnologia e nas pessoas", afirmou a CEO.
Banco corta guidance: teto virou novo piso
Como esperado por parte do mercado, o banco foi obrigado a revisar para baixo suas projeções para 2026. O guidance de lucro passou de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, ou seja, o teto anterior tornou-se o novo piso.
O custo de capital também disparou, saindo da faixa de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.
📊 Em contrapartida, a margem financeira foi revisada para cima, de crescimento entre 4% e 8% para entre 7% e 11%.