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Casas Bahia (BHIA3) protocolou pedido de
recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões devidas a cerca de 28 mil credores, em uma crise que a própria empresa classifica como a "pior desde a fundação." Após o anúncio, as ações despencaram quase 30% nesta segunda-feira (17).
A maior parte das dívidas, R$ 16,4 bilhões, é do tipo quirografária, ou seja, sem garantia real, como os débitos com fornecedores. As dívidas trabalhistas totalizam R$ 754,5 milhões.
No topo da lista de credores está a Zurich Minas Brasil Seguros, parceira do grupo na oferta de garantias estendidas e proteções para celulares e eletrônicos, com R$ 1,97 bilhão a receber.
Em seguida aparece o IBCB-AF01, fundo de investimento usado para estruturar operações da varejista, com R$ 1 bilhão em aberto. A Samsung ocupa o terceiro lugar, com R$ 937,6 milhões a receber.
Outros fornecedores de peso também figuram na relação: Electrolux (R$ 700 milhões), Whirlpool (R$ 635,9 milhões), LG (R$ 623,7 milhões) e Motorola (R$ 619 milhões).
Entre os credores financeiros, o
Bradesco (BBDC4) aparece com R$ 655,6 milhões, somando valores devidos ao banco e ao Digio, controlado pelo Bradesco. O
Banco do Brasil (BBAS3) tem R$ 598,1 milhões a receber, enquanto o
Itaú (ITUB4) aparece com R$ 208,3 milhões.
📊 Confira a lista dos maiores credores financeiros:
- Banco Digio S.A.: R$ 3.277.992.595,19
- Banco do Brasil S.A.: R$ 2.990.270.072,40
- Banco Bradesco S.A.: R$ 1.504.226.796,87
- IBCB-AF01 FIDC: R$ 1.085.199.837,09
- Intra S.A.: R$ 928.064.945,02
- Riza Agronegócio Gestora de Recursos: R$ 803.805.363,48
- Redasset Gestão de Recursos: R$ 708.039.412,48
- Oliveira Trust Distribuidora: R$ 568.208.661,86
- Jive Investments: R$ 354.215.016,53
- Banco BTG Pactual S.A.: R$ 247.621.277,35
- Total credores financeiros: R$ 13.298.360.083,85
Selic alta, crediário e concorrência são os vilões
No pedido de reestruturação, a Casas Bahia argumenta que o aumento da
taxa Selic a partir de 2021 produziu "efeitos especialmente severos," já que sua operação é estruturalmente dependente do crediário, que responde por 15,9% das vendas e fecha o período entre abril e junho com carteira de R$ 6,3 bilhões.
Os juros altos também elevaram o custo de manutenção dos estoques e das operações de risco sacado com fornecedores.
A empresa cita ainda a inflação, que comprimiu a renda das famílias mais pobres, e o aumento da concorrência com plataformas internacionais como
Amazon (AMZO34) e
Mercado Livre (MELI34).
Da extrajudicial de 2024 ao pedido judicial de 2026
A crise não surgiu de repente. Em 2023, a empresa fechou 55 lojas, demitiu 8,6 mil funcionários e cortou R$ 1 bilhão em estoques. Em 2024, passou por uma recuperação extrajudicial com passivo de R$ 4,1 bilhões. Mesmo assim, as dificuldades persistiram.
📉 Agora, a companhia anuncia o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários em agosto como parte das frentes de recuperação do processo judicial.