As taxas oferecidas no
Tesouro Direto dispararam nesta sexta-feira (14), provocando prejuízos com marcação a mercado aos investidores de
renda fixa que já haviam emprestado dinheiro ao governo brasileiro sob condições de
juros compostos menores que os atuais.
O tranco foi mais vocal nos títulos públicos com vencimentos mais curtos e intermediários, caso do
Tesouro Prefixado 2032, cuja remuneração saltou de 14,62% ao ano na véspera para os atuais 14,86% ao ano.
Trata-se da segunda maior taxa registrada pelo
Tesouro Prefixado 2032 nos últimos 30 dias, apenas atrás dos juros compostos de 14,95% ao ano ofertados no último dia 23 de julho, que figura como recorde até então em 2026.
Em contrapartida, o preço unitário do título de renda fixa se desvalorizou -1,1% só nas últimas 24 horas, cedendo de R$ 482,21 para R$ 477,11 na marcação a mercado. Afinal de contas, quando as taxas sobem no Tesouro Direto, o preço dos títulos públicos perde valor em compensação.
A renda fixa do governo brasileiro também é sensível à
forte saída de capital que os investidores estrangeiros estão promovendo ao longo desta semana. Só no último dia 11 de agosto, o saque foi de R$ 4,72 bilhões, a maior retirada de dinheiro da bolsa de valores brasileira desde o dia 22 de abril de 2026.
Com menos dólares circulando na economia brasileira e mais pressão sobre as expectativas de inflação, era de se esperar que o Tesouro Direto acompanhasse a forte subida dos juros futuros, que funcionam como um termômetro sobre onde o mercado acredita que a
taxa Selic estará nos próximos anos.