Entre as variadas emissões de títulos de dívida feitas pelo Grupo Casas Bahia, são as
debêntures da 10ª emissão, com código de negociação BHIA0, que acumulam as perdas mais expressivas: prejuízo de -65% na marcação a mercado desde a sua emissão no dia 28 de abril de 2024. Por conta das debêntures entrarem em calote técnico, sequer aparece a taxa indicativa atual, sendo que nas condições de emissão, a remuneração era de 100% da taxa DI.
Afinal de contas, o preço unitário atual de cada debênture nas prateleiras das corretoras de valores (o mercado secundário de renda fixa) gira em torno de R$ 0,42. Ou seja, trata-se do valor que o mercado está disposto a pagar agora para assumir esse altíssimo risco de calote.
Enquanto isso, o valor unitário atualizado de cada título de dívida do Grupo Casas Bahia deveria ser de R$ 1,36, sendo o patamar correspondente à correção pela inflação (
IPCA) desde a emissão das referidas debêntures há pouco mais de dois anos.
Na ocasião, a empresa pegou emprestado R$ 1,5 bilhão e ainda precisou alongar o prazo de vencimento de sua 10ª emissão de debêntures no início de 2026, obrigando os debenturistas a carregarem tais títulos até o dia 28 de novembro de 2050.
Justamente pelo seu prazo de vencimento no longuíssimo prazo, quaisquer oscilações nas taxas são capazes de provocar prejuízos abruptos e acentuados na marcação a mercado, como ocorre agora,
agravado pelo prejuízo de R$ 10 bilhões reportado no segundo trimestre do ano (
2T26).
Ao mesmo tempo em que o investimento em debêntures não conta com a proteção do
FGC (Fundo Garantidor de Crédito), praticamente nenhum investidor de renda fixa em sã consciência tem o interesse agora em adquirir os referidos títulos de dívida do Grupo Casas Bahia, deixando os atuais debenturistas em uma condição de iliquidez severa.