Banco do Brasil pode ter queda de 36% no lucro no 1T26, projetam analistas

Os analistas do Itaú BBA e do BTG veem riscos de revisão para baixo nas estimativas, com agronegócio pressionado pelo diesel mais caro.

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Publicado em 15/04/2026 às 16:01h Publicado em 15/04/2026 às 16:01h por Matheus Silva
O Itaú BBA projeta lucro de R$ 3,6 bilhões para o banco no 1T26 (Imagem: Shutterstock)
O Itaú BBA projeta lucro de R$ 3,6 bilhões para o banco no 1T26 (Imagem: Shutterstock)
🚨 As ações do Banco do Brasil (BBAS3) recuavam 3,70%, a R$ 24,44, por volta das 15h45 desta terça-feira (14), após relatórios do Itaú BBA e do BTG Pactual projetarem um primeiro trimestre de 2026 significativamente mais fraco do que o período anterior. 
A queda contrasta com o movimento recente dos papéis, que chegaram a encostar em R$ 27 na expectativa de recuperação após um quarto trimestre considerado positivo.
O Itaú BBA projeta lucro de R$ 3,6 bilhões no 1T26, queda de 36% frente ao quarto trimestre, e ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de apenas 7,5%, contra 12,1% no período anterior. 
Na avaliação dos analistas do banco, enquanto a carteira de crédito desacelera, as despesas com provisões devem permanecer elevadas em cerca de R$ 17,4 bilhões, impulsionadas pela deterioração dos estágios de crédito em diferentes carteiras.
A estimativa do Itaú BBA para o lucro anual de 2026 está em R$ 21 bilhões, abaixo do piso do guidance do próprio Banco do Brasil, de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

BTG vê lucro entre R$ 3 bi e R$ 3,5 bi e alerta para risco de revisão

O BTG Pactual também projeta um trimestre fraco, com lucro líquido provavelmente entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões, de 15% a 30% abaixo do consenso de mercado. O banco lembra que o resultado do quarto trimestre, de R$ 5,7 bilhões, foi inflado por um efeito tributário extraordinário. 
"Portanto, uma comparação com um trimestre mais fraco não deve ser surpresa na ausência de evidências claras de melhorias operacionais", afirmaram os analistas.
Ainda assim, o BTG avalia que a magnitude da queda sequencial nos lucros e no ROE pode surpreender o mercado. O banco também destaca que as ações subiram cerca de 10% no último mês e aproximadamente 17% no acumulado do ano, superando concorrentes como o Bradesco (BBDC4). "Reiteramos uma postura mais cautelosa", afirmou o BTG.

Agronegócio sob pressão com diesel mais caro e câmbio desfavorável

O BTG aponta o agronegócio como o principal vetor de risco. A expectativa inicial era de recuperação a partir dos reembolsos da última colheita, após o banco apertar as exigências para empréstimos a agricultores. 
No entanto, o banco avalia que o primeiro trimestre já ficou aquém das expectativas. Com a alta dos preços do diesel e dos fertilizantes em razão da guerra no Irã, o BTG vê "risco crescente de que o segundo trimestre também possa decepcionar."
"Embora anteriormente esperássemos alguma melhora no lucro antes de impostos, agora vemos uma probabilidade maior de queda de aproximadamente 20% em relação ao trimestre anterior", disse o banco.

Dia do Investidor da próxima semana será termômetro

O BTG aponta o Dia do Investidor da próxima semana como evento crucial para avaliar a trajetória do portfólio do agronegócio, as tendências de provisionamento e o momento de uma possível recuperação. "O momento é crucial, visto que nos aproximamos do final de abril, um período crítico para avaliar os primeiros pagamentos da última safra", destacou o banco.
Atualmente, o BTG avalia que as ações são negociadas a cerca de 0,8 vez o valor patrimonial, "com um ROE que pode ter dificuldades para atingir 10% em 2026 e um rendimento de dividendos na casa de um dígito médio, que não parece particularmente atrativo em relação aos padrões históricos." 
📉 Se o mercado reduzir as estimativas de lucro do ano em cerca de 20%, para R$ 20 bilhões, os papéis passariam a ser negociados a aproximadamente 7,3 vezes o P/L, com dividend yield ao redor de 4%, níveis que o BTG considera pouco atrativos pelos padrões históricos do banco.