💲 As ações da
Equatorial (EQTL3) acumulam desempenho zero no ano e, para o Itaú BBA, o papel está mal precificado. Em relatório, os analistas Filipe Andrade e Lucas Guimarães elevaram o preço-alvo das ações de R$ 48,70 para R$ 53,30 até o fim de 2026, potencial de valorização de 40,2% sobre o fechamento da última quarta-feira (27).
A recomendação de compra foi mantida. Nesta quinta-feira (28), as ações da Equatorial subiram 0,55%, a R$ 38,20.
Na avaliação do banco, um dos principais motivos para a performance fraca no último ano é a rotação setorial, com investidores usando a Equatorial como fonte de recursos para aumentar exposição a empresas com maior sensibilidade à volatilidade dos preços de energia.
O tom pessimista em torno das discussões regulatórias do segmento de distribuição e a dificuldade do mercado em precificar a companhia após sua entrada na Sabesp também pressionaram o papel.
Portfólio de distribuição e exposição à Sabesp
Para o Itaú BBA, o valuation atual abriu uma "janela de oportunidade" para os acionistas. "O valuation atual é uma oportunidade de adquirir uma plataforma de distribuição de alta qualidade e geração composta de valor, operada por uma das melhores equipes de gestão do setor, além de uma exposição indireta à Sabesp negociada com desconto", avaliaram Andrade e Guimarães.
A tese de investimento se apoia em dois pilares: o potencial de geração de valor composto do portfólio de distribuição e a exposição indireta à
Sabesp (SBSP3). Juntos, eles sustentam o novo preço-alvo e a TIR (Taxa Interna de Retorno) real implícita de 12%, segundo o banco.
"A Equatorial melhorou seu balanço patrimonial e perfil de alavancagem, criando espaço adicional para investimentos orgânicos no segmento de distribuição, ao mesmo tempo em que preservou uma posição confortável para perseguir futuras oportunidades inorgânicas", escreveram os analistas.
O banco também destaca que a Equatorial é "amplamente reconhecida como uma das operadoras mais fortes do segmento de distribuição no Brasil e como uma das alocadoras de capital mais disciplinadas e geradoras de valor do setor."
Sabesp "contamina" o valuation e cria distorções
Desde o anúncio da entrada da Equatorial como acionista de referência da Sabesp, em 28 de junho de 2024, as ações EQTL3 acumulam queda de 21%, excluindo a marcação a mercado da Sabesp, mesmo com melhora relevante no desempenho operacional e financeiro.
"Na nossa visão, isso cria distorções relevantes em algumas das principais métricas de valuation da companhia", afirmaram os analistas.
Uma das distorções ocorre no dividend yield. Como a Sabesp tem restrições à distribuição de dividendos até 2030, a Equatorial reconhece equivalência patrimonial que não será totalmente convertida em caixa nos próximos anos, gerando divergência entre o lucro contábil e a geração efetiva de caixa.
Outra distorção aparece no múltiplo EV/Ebitda, já que a equivalência patrimonial geralmente é excluída do Ebitda por muitos investidores.
Participação na Sabesp pode ser o maior catalisador
Para os analistas, a participação da Equatorial na Sabesp representa uma das oportunidades de arbitragem mais atraentes do setor de utilities brasileiro.
"Nos preços atuais, o mercado implica que a Equatorial é ou uma das ações mais baratas do setor brasileiro de utilities ou o veículo listado mais barato para investidores obterem exposição à Sabesp", afirmam.
Nas contas do banco, a Sabesp negocia a cerca de oito vezes EV/Ebitda, enquanto empresas globais comparáveis do setor de saneamento costumam ser negociadas entre 10 e 12 vezes.
💰 "Qualquer reprecificação do múltiplo da Sabesp poderia se traduzir em uma valorização relevante do valor implícito da participação da Equatorial, reforçando a assimetria atualmente observada no valuation da companhia", concluíram os analistas.