Raízen (RAIZ4) renegocia renda fixa em dólar, além de CRAs pagando quase 20% ao ano
Produtora de açúcar e etanol luta contra o relógio para aprovar sua recuperação extrajudicial.
A Raízen (RAIZ4) apresentou nesta quinta-feira (28) seu plano de reestruturação financeira no âmbito da recuperação judicial. A empresa tem o objetivo de sanar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas diretamente com seus credores.
Segundo o documento, quase metade da dívida será convertida em ações da companhia, com um valor precificado de R$ 0,25. A outra parte será trocada por títulos de dívida com vencimento de longo prazo, entre seis e dez anos.
Esses títulos serão entregues ao mercado doméstico e internacional, com rentabilidades diferentes de acordo com a vinculação: CDI + 2,75% para os ativos em reais, 8,5% ao ano em dólares ou 7,65% ao ano em euros.
Além disso, a empresa planeja receber um aporte de R$ 4 bilhões, que serão divididos entre os dois controladores. R$ 3,5 bilhões virão da Shell e outros R$ 500 milhões serão aplicados pelo Aguassanta Investimentos, um veículo da Cosan.
A empresa também confirmou que deve fazer uma cisão no negócio, com a divisão em duas unidades. Raízen Energia e Raízen Combustíveis devem atuar de forma separada para firmar operações em seus respectivos segmentos.
A empresa prevê a separação para o fim do próximo ano, conforme cronograma divulgado no mesmo documento. Ao longo deste período, a companhia deve buscar investidores que tenham interesse nessas áreas.
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Também foi definido o nome do executivo que será responsável pelo processo de reestruturação, e o atual diretor financeiro, Lorival Luz, é quem vai assumir a função. Os credores da companhia também poderão eleger um Creditor Restructuring Advisory Officer (CRAO), que será responsável por representá-los nas decisões.
O detalhamento não foi muito bem recebido pelo mercado, que fez as ações da companhia caírem na bolsa de valores. Por volta das 12h30, o recuo de RAIZ4 era de 19%, com cada papel cotado em R$ 0,34.
A situação da Raízen vem se complicando cada vez mais e, nem de longe, se parece com aquela empresa que chegou a negociar seus papéis acima de R$ 7. Desde que chegou à B3, em 2021, a companhia já perdeu mais de 95% do seu valor de mercado, que hoje soma apenas R$ 475 milhões.
Produtora de açúcar e etanol luta contra o relógio para aprovar sua recuperação extrajudicial.
A companhia avançou para converter até 50% da dívida em ações até junho e negocia venda de ativos na Argentina ao Mercuria.