📊 A mineradora lucrou US$ 1,89 bilhão e registrou um Ebitda ajustado de US$ 3,83 bilhões no trimestre. Porém, os números ficaram abaixo do esperado pelo mercado, pressionados pela alta dos custos.
Com isso, as ações da Vale chegaram a cair mais de 5% na manhã desta quarta-feira (29) e, com isso, chegaram a ser negociadas na faixa dos R$ 80.
A alta de custos
Como resumiu a XP, a pressão de custos ofuscou os ganhos de receita registrados com a alta das
commodities e o bom desempenho da estratégia comercial da Vale.
💲 Isso porque a mineradora registrou custos unitários marginalmente mais altos em todas as suas linhas de negócio e o custo caixa C1 subiu 12% em um ano.
O indicador marcou US$ 23,6 por tonelada de minério de ferro, superando o guidance da companhia, que prevê um custo C1 de US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada em 2026.
"Ventos contrários de custo (principalmente macro-driven) adicionaram pressão ao desempenho financeiro da Vale", comentou a XP, que atribuiu a alta do custo C1 à desvalorização do
dólar e ao giro de estoques.
Por outro lado, os custos com frete caíram 3% mesmo diante da alta do
petróleo, refletindo a estratégia de afretamento de longo prazo da Vale, observou a XP.
O lado operacional
A Genial Investimentos também chamou atenção para a alta dos custos, dizendo que o indicador explica o fato de que o Ebitda da Vale ficou abaixo do esperado pelo mercado.
⚒️ Porém, ressaltou que o trimestre também mostrou sinais de melhora. Afinal, os embarques de finos minério de ferro subiram 3%, mesmo com as chuvas intensas do início do ano, e os preços realizados avançaram, atingindo US$ 95,8 a tonelada.
Olhando para a frente, a Genial observou sinais de melhora na demanda da China, mas também dificuldades no avanço do projeto de minério de ferro de Simandou, na Guiné.
A recomendação dos analistas
Diante disso, a Genial ainda recomenda a manutenção das ações da Vale, com um preço-alvo de R$ 90, sustentado pela expectativa de um rendimento de fluxo de caixa livre de 6% em 2026.
A XP também tem uma recomendação neutra, mas um preço-alvo menor, de R$ 85. A avaliação é de que a Vale segue relativamente mais atrativa do que os seus pares globais e ainda pode ter bons momentos na Bolsa, diante da entrada de capital estrangeiro no Brasil.
Já o BTG Pactual manteve a recomendação de compra, com um preço-alvo de R$ 85,50, por entender que os resultados do primeiro trimestre foram pressionados por fatores sazonais.
"Com os preços das matérias-primas próximos dos seus níveis máximos, os efeitos sazonais prestes a diminuir e a empresa bem protegida contra a inflação de custos (relacionada com a guerra no Irã), acreditamos que a tese da compra se mantém intacta", afirmou.
O BTG ainda projeta um
retorno com dividendos de 8% para a Vale em 2026. Porém, observou que o pagamento de
dividendos e as despesas operacionais fizeram a dívida líquida da empresa crescer no primeiro trimestre -indicador que é observado de perto pela empresa na hora de decidir sobre eventuais dividendos extraordinários.