Renda fixa segue como a forma predileta das empresas pegarem dinheiro em 2026

Anbima revela forte recuperação das emissões de CRAs e CRIs durante agosto, apesar de recuo das debêntures.

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Publicado em 16/09/2026 às 16:34h Publicado em 16/09/2026 às 16:34h por Lucas Simões
FIDCs também são destaque positivo, contrapondo-se à onda de pedidos de recuperação judicial (Imagem: Shutterstock)
FIDCs também são destaque positivo, contrapondo-se à onda de pedidos de recuperação judicial (Imagem: Shutterstock)
Se não fosse a ampla preferência das companhias brasileiras em buscar dinheiro com investimentos em renda fixa, o desempenho do mercado de capitais em agosto de 2026 teria sido ainda mais aquém da baixa de -16% no volume financeiro anual, já que o saldo caiu de R$ 58 bilhões para R$ 48,8 bilhões. Desde o início de 2026, o volume é de R$ 485 bilhões, alta de +7,1% na comparação anual.
O boletim divulgado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta quarta-feira (16) até pontua que as emissões de debêntures amargaram recuo de -35,2% durante agosto na comparação com julho, angariando R$ 21,5 bilhões das mãos dos investidores de renda fixa. Todavia, os empréstimos diretos às empresas ainda responderam por 44,1% de todas as operações captadas no mês. 
Já os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) mais que dobraram de volume em relação a julho, movimentando R$ 14,5 bilhões em emissões, o segundo maior resultado mensal do instrumento em 2026. Seria o fim da coroa das debêntures
A procura das empresas por FIDCs cresceu +116% em relação aos R$ 6,7 bilhões de julho e +146,3% na comparação com os R$ 5,9 bilhões registrados em agosto do ano passado. No acumulado do ano, as captações desse instrumento de renda fixa já superam R$ 74 bilhões. 
"Embora as debêntures continuem liderando as emissões, agosto reforçou uma mudança na composição das captações, com instrumentos ligados a recebíveis ganhando participação e ajudando a sustentar a atividade do mercado. Esse movimento evidencia a capacidade do mercado de capitais de atender a diferentes perfis de emissores por meio de estruturas cada vez mais diversificadas", afirma Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima. 
Vale mencionar que a recuperação dos instrumentos ligados a recebíveis também se refletiu nos CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), que alcançaram aproximadamente R$ 2,4 bilhões em emissões, crescimento de +32,5% em relação a julho. 
Enfim, os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), que somaram cerca de R$ 2,2 bilhões, quase triplicaram também o volume registrado no mês anterior, quando movimentaram R$ 776,8 milhões.