As ações da
Ânima (ANIM3) operam em forte queda na B3 nesta quarta-feira (15), devido à avaliação do mercado de que a mais recente investida da empresa deve trazer mais desafios do que ganhos.
🎓 A Ânima anunciou na véspera a
aquisição da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), uma das instituições de ensino mais tradicionais de São Paulo, mas que está em
recuperação judicial.
Para analistas, o negócio saiu caro e muda a tese de investimento na Ânima, pois pode pressionar o endividamento e reduzir os
dividendos da empresa.
Com isso, os papeis da companhia chegaram a cair mais de 30% nesta quarta-feira (15) e tocaram em R$ 1,99, o menor valor desde fevereiro de 2025. Ou seja, em quase um ano e meio.
Negócio caro?
A Ânima vai pagar R$ 410 milhões pela FMU, sendo R$ 240 milhões no fechamento do contrato e o restante até o final de 2029 ou três anos depois da aprovação definitiva do negócio pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o que ocorrer primeiro.
💸 Porém, a FMU chega ao portfólio da companhia com uma dívida líquida ajustada de R$ 150 milhões. Por isso, o negócio implica um valor de mercado de R$ 560 milhões, considerado "caro" e "duro de explicar" por analistas. "O prêmio pago é difícil de justificar", disse o Citi.
Analistas explicam que o movimento tende a elevar a alavancagem da Ânima, justamente em um momento em que os juros seguem elevados. Por isso, pode atrapalhar o processo de recuperação do balanço e ainda afetar a distribuição de dividendos da empresa.
O mercado também destaca as incertezas que rondam o negócio da FMU, que perdeu participação de mercado, ampliou o seu endividamento e acabou entrando em recuperação judicial nos últimos anos.
Para o Itaú BBA, a FMU pode até gerar ganhos para a Ânima no futuro. Porém, uma indicação mais clara sobre o tempo que a instituição precisa para melhorar suas margens, ampliar a geração de caixa e reduzir a dívida seria importante para aliviar a preocupação do mercado.
BTG corta recomendação
Diante dessas incertezas, o BTG Pactual cortou a recomendação e o preço-alvo para as ações da Ânima e ainda passou a projetar um lucro menor para a instituição.
✂️ O banco mantinha uma recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 7 para o papel. Mas, agora, preferiu adotar uma postura neutra e trabalhar com um preço de R$ 4 por ação.
O BTG explicou que a tese de investimento na Ânima havia sido construída com base na expectativa de uma geração consistente de caixa, maior capacidade de distribuição de dividendos e uma melhor estratégia de alocação de capital. Porém, avalia que esses pilares já não estão mais presentes.
"Acreditamos que esta transação altera materialmente a tese de investimento, pois reduz significativamente a visibilidade dos distribuições de dividendos futuras", afirmou.
Pelos cálculos do BTG, a alavancagem da Ânima vai subir de 2,39x para 2,73x após o negócio. O banco ainda reduziu em mais de 20% a projeção para o lucro da empresa em 2030.
O que diz a Ânima?
🔎 A Ânima fechou a compra da FMU por acreditar que a aquisição fortalece a sua rede de instituições de ensino superior, com uma marca forte e tradicional. Logo, pode elevar a receita.
A companhia disse ainda que o recente processo de desalavancagem, a robusta geração de caixa e a retomada do crescimento dos seus principais negócios forneciam a segurança necessária para "seguir crescendo, de forma sustentável".
A FMU conta com 51 mil alunos, seis campi na cidade de São Paulo e mais de 200 polos de ensino a distância espalhados pelo país.
Nos 12 meses encerrados em março de 2026, a instituição registrou receita líquida de R$ 281,7 milhões, Ebitda ajustado de R$ 52,9 milhões e dívida líquida ajustada de R$ 150,3 milhões.