BTG, Bradesco e Itaú revisam Selic para baixo após surpresa positiva no IPCA

Enquanto algumas instituições veem espaço para novos cortes de juros, outras mantêm a cautela diante das incertezas na economia brasileira.

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Publicado em 10/07/2026 às 19:08h Publicado em 10/07/2026 às 19:08h por Matheus Silva
O BTG foi uma das casas mais otimistas ao revisar suas estimativas (Imagem: Shutterstock)
O BTG foi uma das casas mais otimistas ao revisar suas estimativas (Imagem: Shutterstock)
🚨 A combinação entre uma inflação mais comportada em junho e sinais de desaceleração no mercado de trabalho levou bancos e casas de análise a revisarem suas projeções para a taxa Selic no encerramento de 2026. 
Enquanto algumas instituições passaram a enxergar espaço para novos cortes de juros, outras preferiram manter um cenário mais cauteloso diante das incertezas que ainda rondam a economia brasileira.
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho surpreendeu positivamente o mercado ao mostrar inflação mais comportada do que a esperada, antecipando uma melhora que muitos analistas só previam para os próximos meses. 
Um dos principais fatores por trás dessa desaceleração foi a queda mais intensa do preço do petróleo, que recuou rapidamente para níveis próximos aos observados antes do início do conflito entre EUA e Irã.
Além da inflação, o Caged também mostrou um mercado de trabalho mais fraco do que o esperado, reforçando a percepção de que a economia está perdendo fôlego. O conjunto de dados foi suficiente para mover o consenso de mercado na direção de uma Selic mais baixa ao fim do ano.

BTG passa a projetar dois cortes adicionais e Selic a 13,75%

O BTG Pactual foi uma das casas que revisaram mais expressivamente suas estimativas. Antes da reunião de junho do Copom (Comitê de Política Monetária), o banco via a Selic encerrando o ciclo de cortes em 14,25%. 
Com os novos dados, passou a projetar mais dois cortes de 0,25 ponto percentual cada, levando a taxa para 13,75% no fim de 2026.
O Bank of America (BofA) também aproveitou os dados mais benignos do dia para revisar seu cenário. David Beker, chefe de Economia para o Brasil e de Estratégia para a América Latina do banco, avaliou que há espaço para pelo menos mais um corte de juros. 
A instituição passou a projetar a Selic em 14% no fim de 2026, sem descartar novos movimentos caso o ambiente continue evoluindo de forma favorável.
📈 Nem todas as casas decidiram mexer nas estimativas. O ASA manteve a projeção de Selic em 14,25% no fim de 2026, sem prever novos cortes. Citi e Genial Investimentos também seguem com a mesma projeção, adotando postura mais conservadora diante das incertezas que ainda cercam o cenário fiscal e inflacionário de médio prazo.