Negociações de debêntures nas corretoras de valores batem o maior volume da história

O chamado mercado secundário de renda fixa pode trazer oportunidade de juros compostos mais atrativas ao investidor.

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Publicado em 08/10/2026 às 18:53h Publicado em 08/10/2026 às 18:53h por Lucas Simões
O estoque de debêntures que circulam no mercado já ultrapassa R$ 1,6 trilhão (Imagem: Shutterstock)
O estoque de debêntures que circulam no mercado já ultrapassa R$ 1,6 trilhão (Imagem: Shutterstock)
A modalidade de renda fixa que permite investidores emprestarem dinheiro diretamente às empresas atingiu o seu maior volume na história no Brasil, com saldo de R$ 560 bilhões entre janeiro e julho de 2026, apenas nas negociações nas prateleiras das corretoras de valor.
Os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta semana mostram que o apetite dos investidores no chamado mercado secundário de renda fixa segue aquecido, uma vez que, quando uma debênture é resgatada por um primeiro investidor e recolocada à venda pela corretora de valores, o novo debenturista interessado pode embolsar juros compostos mais atrativos que as condições originais.
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No detalhe, o saldo bilionário em 2026 representa um avanço de +16,6% sobre os R$ 480,1 bilhões movimentados entre janeiro e julho do ano passado. Tamanha expansão está diretamente atrelada ao forte crescimento das emissões de dívida no mercado de capitais nos últimos anos. 
A partir de 2021 e especialmente em 2024 e 2025, o elevado volume de ofertas colocou centenas de bilhões de reais em novos papéis em circulação. Como consequência, o estoque de debêntures também cresceu, ampliando a base de ativos que podem ser negociados entre investidores nas corretoras de valores. 
Diante das ofertas de debêntures realizadas neste ano, que já somam R$ 203 bilhões, o estoque continuou avançando e chegou a R$ 1,6 trilhão em julho de 2026. Para Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da Anbima, há três transformações acontecendo simultaneamente. 
“O mercado de debêntures está ficando maior, impulsionado pelo avanço das emissões; a base de investidores também se ampliou nos últimos anos e o mercado secundário vem ganhando relevância nesse processo. O resultado é um mercado com mais ativos disponíveis, mais participantes negociando e maior circulação dos papéis emitidos”, comenta a especialista. 
Em termos de rentabilidade, só o índice de referência IDA-IPCA ex-Infraestrutura, que tem apenas debêntures corporativas tradicionais na carteira teórica, rendeu 2,49% ao mês em setembro de 2026. A título de comparação, o CDI se valorizou apenas 1,08% ao mês no mesmo período.