O
Tesouro Direto realmente provou nesta segunda-feira (5) que a
renda fixa não é tão fixa quanto o nome sugere, uma vez que os investidores colhiam elevados lucros com marcação a mercado na mesma proporção que as taxas oferecidas registravam sua maior queda diária desde 2008. Inclusive, desde às 11h30 (horário de Brasília), quase todos os títulos públicos saíram do ar diante de tamanha volatilidade.
A
vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL/Rio de Janeiro) à Presidência do Brasil durante o 1º turno das
Eleições 2026, deixando o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em clara desvantagem, trouxe à tona o trade eleitoral que aposta em ajuste fiscal nas contas públicas e ciclo mais agressivo de cortes da
taxa Selic.
Quando as taxas e os preços unitários dos títulos públicos oscilam demasiadamente, o Tesouro Direto promove a suspensão temporária da maioria dos investimentos em renda fixa, mantendo apenas as negociações do
Tesouro Selic 2031 e do
Tesouro Reserva 2036, ambos com
liquidez diária.
Por volta das 16h (horário de Brasília), os títulos públicos voltaram ao ar, só que bem diferentes dos patamares de
juros compostos que os investidores haviam se acostumado nos últimos meses, com evidente perda dos patamares psicológicos de
IPCA+ 7% ao ano entre os indexados à inflação e de 14% ao ano entre os prefixados.
O queridinho para lucrar pesado na marcação a mercado, o
Tesouro Renda+ 2065, viu a sua taxa recuar de
IPCA+ 6,89% ao ano na última sexta-feira (2) para os atuais
IPCA+ 6,42% ao ano. Em compensação, o seu preço unitário decolou de R$ 209,30 para R$ 256,31 em apenas um pregão.
A valorização é +22,46% em apenas um único pregão.
De maneira semelhante, o
Tesouro IPCA+ 2050 lucrou +11,53% na marcação a mercado no mesmo período, visto que o seu preço unitário saltou de R$ 938,35 para R$ 1.046,55 desde o fechamento anterior à corrida eleitoral, enquanto suas taxas cederam de
IPCA+ 7,08% ao ano para
IPCA+ 6,59% ao ano.
O lucro com marcação a mercado é justamente mais intenso em títulos de renda fixa com vencimento de longo prazo, somente quando o investidor se trava em patamar de juros compostos bem superior à condição atual. Caso carregue o título público até o vencimento, garante-se a taxa contratada em patamar superior às condições atuais.