As ações do
Banco do Brasil (BBAS3) disparavam nesta segunda-feira (5), após o resultado do 1º turno das eleições de 2026 colocar Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) frente a frente no segundo turno.
Por volta das 10h57 (horário de Brasília), os papéis registravam forte alta, em um movimento que recoloca o banco estatal no centro das atenções dos investidores. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Resultado das urnas muda o tom do mercado
A reação ocorre depois de Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula. O candidato do PL recebeu cerca de 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos válidos, enquanto Lula somou aproximadamente 53,9 milhões, ou 45,16%. Como nenhum dos dois ultrapassou a maioria absoluta, a disputa será decidida em uma nova votação.
O desempenho de Lula também marcou seu menor percentual em um primeiro turno desde 1998. Em relação à eleição de 2022, o presidente perdeu cerca de 3,4 milhões de votos, enquanto Flávio terminou a primeira etapa à frente em 14 estados e no Distrito Federal.
Esse novo desenho eleitoral ajuda a explicar a forte movimentação de BBAS3. Desde setembro, o papel vinha sendo tratado pelo mercado como uma espécie de trade eleitoral, diante da possibilidade de uma mudança de governo e de uma condução considerada mais alinhada ao mercado para a instituição.
Privatização do BB entrou no radar
Segundo ela, a instituição poderia ser privatizada por negociar abaixo de uma vez o seu patrimônio. A equipe econômica, porém, também indicou que qualquer decisão sobre as estatais dependeria de uma avaliação de sua situação e de medidas para fortalecer a governança.
A possibilidade ajudou a colocar BBAS3 no foco dos investidores durante a campanha. Em setembro, o Investidor10 destacou que as ações já acumulavam alta de 12,6% naquele mês, embora analistas mantivessem cautela em relação à recuperação dos resultados do banco.
Apesar da reação positiva na Bolsa, o cenário operacional do Banco do Brasil continuava exigindo atenção. Na avaliação de analistas, o aumento da inadimplência no agronegócio e das provisões permanecia entre os principais obstáculos para uma recuperação mais consistente dos resultados.
Na ocasião, o JPMorgan e o Safra haviam reduzido projeções de lucro e preços-alvo para BBAS3. A Genial Investimentos também avaliava que a administração do banco estava mais cautelosa quanto ao ritmo de recuperação, especialmente diante da deterioração do crédito rural.