Méliuz (CASH3) propõe redução de capital, mas desta vez sem restituição aos acionistas

O objetivo é reduzir o capital social em R$ 160 milhões e alocar recursos em uma reserva.

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Publicado em 04/09/2026 às 12:39h Publicado em 04/09/2026 às 12:39h por Marina Barbosa
Méliuz oferece cartão de crédito, conta digital e investimentos (Imagem: Shutterstock)
Méliuz oferece cartão de crédito, conta digital e investimentos (Imagem: Shutterstock)
O Méliuz (CASH3) pretende reduzir o seu capital social mais uma vez. Mas, desta vez, sem a devolução de recursos para os acionistas.
✂️ A empresa já cortou o seu capital social duas vezes nos últimos anos. Porém, ainda o considera o "excessivo". Por isso, propôs uma nova redução nesta sexta-feira (4).
O objetivo é fazer uma redução de capital de R$ 160 milhões e usar esse recurso na constituição de uma reserva de capital que poderia ser usada em situações como a absorção de prejuízos, o resgate ou a compra de ações.
Ao propor a medida, o Méliuz afirmou que a manutenção do atual capital social de R$ 519,7 milhões onera a sua estrutura de capital, sem contrapartida em retorno.
💲 A avaliação é de que o valor excede as necessidades operacionais e estratégicas da companhia no curto e médio prazo, mesmo quando considerado o saldo de prejuízos dos últimos trimestres.
"A companhia opera sob um modelo asset light, não possui endividamento, apresenta capex imaterial e não possui necessidade estrutural de capital de giro", argumentou.
O Méliuz teve um prejuízo líquido consolidado de R$ 22,4 milhões no segundo trimestre de 2026, mas diz que o resultado refletiu uma perda contábil sofrida na carteira de Bitcoins (BTC) que pode ser revertida caso o preço da criptomoeda volte a subir.
Desconsiderando esse efeito, a companhia teve um lucro líquido ajustado de R$ 9,7 milhões no trimestre.

Decisão é dos acionistas e credores

Para avançar, a redução de capital social precisa ser aprovada pelos acionistas do Méliuz. Por isso, uma assembleia geral foi convocada para discutir o assunto no próximo dia 25 de setembro.
Se aprovada pelos acionistas, a operação ainda poderá ser contestada pelos credores da companhia em um prazo de 60 dias contados a partir da publicação da ata da assembleia.
Caso a proposta avance, o capital social do Méliuz passará de R$ 519,7 milhões para R$ 359,7 milhões, mas continuará dividido em 104,1 milhões de ações ordinárias.

Outras reduções de capital

Vale lembrar, porém, que os acionistas do Méliuz tiveram um incentivo extra para aprovar as últimas reduções de capital da empresa, pois as operações permitiram a distribuição de milhões de reais para os investidores em 2024.
Em janeiro daquele ano, a companhia aprovou uma redução de capital de R$ 210 milhões e devolveu esse valor para os acionistas, o que rendeu uma restituição de R$ 2,41 por ação.
Sete meses depois, a empresa aprovou outra redução de capital, no valor de R$ 220 milhões, com o pagamento de R$ 2,52 por ação.
Pouco depois disso, o Méliuz mudou a sua estratégia de tesouraria e tornou-se a primeira Bitcoin Treasury Company do Brasil. Ou seja, uma companhia que aplica parte significativa dos seus recursos na criptomoeda.