📉 A companhia, que atua na produção agrícola e na exploração de propriedades rurais, teve um prejuízo de R$ 13,9 milhões no quarto trimestre da última safra.
O resultado reflete a menor produção de cana-de-açúcar, a redução dos ganhos com a venda de fazendas e o aumento das despesas com
juros no trimestre.
Com isso, a companhia terminou a safra com um prejuízo líquido de R$ 90 milhões, um resultado bem diferente do lucro de R$ 138 milhões registrado na safra anterior.
💲 Apesar disso, a BrasilAgro propôs na quinta-feira (3) a distribuição de R$ 30 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,3012 por ação.
No balanço, a companhia explicou que o prejuízo foi absorvido pela reserva para investimento e expansão e que os dividendos sairiam do saldo remanescente da reserva.
O provento, porém, ainda precisa ser aprovado pelos acionistas da BrasilAgro. O assunto está na pauta da assembleia geral ordinária convocada para outubro de 2026.
O balanço do 4º trimestre
O prejuízo de R$ 13,9 milhões do quarto trimestre da safra 2025/2026 contrasta com o lucro de R$ 61,3 milhões registrado pela BrasilAgro no mesmo período da safra anterior.
🌱 Ao apresentar o balanço, a empresa lembrou que foi preciso ajustar o plano de negócios ao longo da safra, devido à queda nos preços das
commodities e às dificuldades climáticas enfrentadas durante a safrinha. Com isso, a área de produção ficou em 166,9 mil hectares, 3% abaixo do esperado.
Apesar disso, a receita líquida operacional cresceu 12% e atingiu R$ 255,9 milhões no quarto trimestre, com o aumento das vendas de
soja compensando a menor receita de cana-de-açúcar. No ano, a receita com a venda de produtos agrícolas cresceu 2%, para R$ 891,7 milhões.
Dessa forma, o que mais pesou sobre o resultado da BrasilAgro foi o desempenho do segmento imobiliário. Isso porque a companhia não obteve ganhos com a venda de fazendas no quarto trimestre da safra 2025/2026. Já no ano-safra, o ganho somou apenas R$ 2,1 milhões, uma queda de 99% em relação aos R$ 180,1 milhões da safra anterior.
"A comparação com 2025 deve considerar também a natureza nosso modelo de negócios: a monetização das propriedades ocorre de forma seletiva e não linear entre os exercícios, à medida que identificamos oportunidades que permitam a adequada captura de valor", afirmou a administração, no balanço.
Com isso, o Ebitda ajustado recuou 21% no trimestre, para R$ 56,5 milhões. No ano-safra, o indicador tombou 63% e marcou R$ 99,3 milhões. O resultado financeiro também piorou, devido ao aumento do endividamento e dos juros.
Perspectivas para a safra 2026/2027
Diante das dificuldades enfrentadas pelo agronegócio brasileiro, a BrasilAgro adotou uma postura cautelosa ao desenhar o plano de negócios da safra 2026/2027.
A ideia é reduzir a área de algodão de primeira safra em 70% e cortar a área de soja em 5%, além de deixar o feijão safrinha.
Em contrapartida, a área de milho de primeira safra deve crescer 22% e a do algodão safrinha pode avançar 36%, enquanto as áreas de pastagem devem ter um incremento de 21%.
Com isso, a companhia prevê uma redução de 1% da área total de produção, para 165,2 mil hectares.
"Em razão das perspectivas climáticas de El Niño com intensidade forte para o próximo ciclo, cujos efeitos variam entre as regiões onde a Companhia atua, o plano de plantio da safra 26/27 foi definido de forma mais seletiva, considerando as condições esperadas para cada cultura e região", afirmou.
Para compensar esse cenário, a empresa pretende voltar a vender fazendas em 2027.